quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

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Obrigado! Cheguei ao fim ...

A razão pela qual algumas pessoas acham tão difícil serem felizes é porque estão sempre a julgar o passado melhor do que foi, o presente pior do que é, e o futuro melhor do que será.

Marcel Pagnol com sua razão, me fez pensar um pouco. Pois bem, é hora de ir, quero viver o presente, não vou aguardar para viver mais tarde, espero o mesmo para todos vós, que por aqui passaram, que sejam felizes. Nesta despedida, será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa do Canalha de Lagos, com ajuda da música Leonard Cohen "Dance Me To The End Of Love" vos brinde, esta será a maneira melancólica de ficarem tristes por algum tempo. Esta música vai ficar em vossa memória por algumas horas, assim como meu blog ira ficar por algum tempo mais, tenho essa convicção.
Minhas expectativas foram ultrapassadas, de tal forma que me vejo obrigado a parar, não consigo corresponder com qualidade, às exigências daqueles que me visitam. Fico triste, mas vou ficar por aqui. Espero de alguma forma ter contribuído, para que a blogosfera de Lagos, tenha encontrado algo em meu blog, que possa ser utilizado em prol de uma causa justa. Temos que ser parte da decisão, juntos vamos construir ideias e encontrar soluções, evitar a crítica tardia, visualizar ou imaginar coisas ou pessoas, numa forma positiva, antes que seja tarde demais.

Não resido em Portugal, estando longe, mais difícil se torna responder a certas questões ou ter uma opinião correta da situação que Lagos enfrenta no dia-a-dia, responsabilidade acrescida para os que ai estão, muitos são aqueles que aí vivem, que possuíam enormes capacidade para decidir ou resolver algo, por Lagos tudo vale a pena.

Agradecimentos individuais:

Queria agradecer, ao Jorge Ferreira, um nome precioso que vou guardar, apesar de não o conhecer pessoalmente, ficou-me a ideia de alguém com grandes qualidades, que vai dar que falar, pela positiva claro. Acredito em si, peço-lhe, em nome de todos aqueles que estão longe, e amam a cidade que os viu nascer, um maior empenhamento.
Agradecer à Valvesta, no outro lado do Atlântico, por essa enorme paixão e carinho que mostrou por nossa cidade.
Ao António Guimarães, por todo o apoio, força e incentivo que me foi incutido desde o princípio do meu blog.
E claro, agradecer ao meu velho amigo José Borba Martins, por me fazer recordar os bons velhos tempos.
Um especial obrigado ao Zé das Cabras, e a todos aqueles que por aqui passaram. Mas também um pedido de desculpa se magoei alguém com algo que escrevi, ou comentei .

A todos um muito obrigado

P.S.: Só para acrescentar, e talvez desvendar um pouco mais o Canalha, foi o post que mais gostei de fazer: os “REMADORES”, este post em forma de homenagem ao meu avô (na fotografia), que recordo com grandes saudades, e tanto ficou por escrever e lembrar, não só o meu avô, mas todos aqueles homens simples, mas tão importantes pelo seu trabalho, na história de nossa cidade. Nunca foram lembrados, estou consciente e tenho o poder de pensar que essa homenagem um dia chegará, talvez no futuro Museu do Mar, no Convento da Trindade! ou talvez num gesto simbólico em nome de rua. Não podemos ficar indiferentes à importância destes homens no passado, a homenagem que falta a esses grandes homens, que ficando em terra na vida, e na história , nunca foram lembrados. Refiro-me, em particular a esses homens que tinham como missão a construção dos barcos,mais precisamente a manutenção e reparo, homens essenciais nas caravelas, na era dos Descobrimentos “O CALAFATE”.

Adeus, vou sair pelo mundo!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

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Os Sicilianos em Lagos...


Pesca do Atum - 2° parte

As coisas apenas valem pela importância que lhes damos.
Essa importância esquecida , com o apagar da luz do desenvolvimento industrial e comercial, perdidos no tempo, esquecidos na história, escondido no pensamento de alguns. Os Sicilianos, a quem eu, em nome de minha cidade, presto homenagem, pelo ensinamento de novas técnicas na pesca do atum e pelo grande contributo no desenvolvimento económico da cidade de Lagos entre os Sec. XIV e XVI

Os Siciliano e os Índios da Meia-Praia tem muito em comum, o mar, o arraial, a armação e a almadrava (um sistema de redes de grandes dimensões para a pesca do atum).A cada almadrava no mar correspondia um arraial em terra.
O arraial era um conjunto de cabanas onde os pescadores residiam com as suas famílias durante a temporada da pesca. Na obra Corografia do Reino do Algarve, escrita por Frei João de S. José em 1577, descreve um arraial de pescadores:
«A pescaria deste peixe não só é proveitosa, [...] mas também de muito gosto e desenfado, porque [...] acode a ela grande soma de pescadores de todo Algarve, com suas mulheres, filhos e outra chusma e fazem suas cabanas por toda a costa onde estão as armações e continuadamente acode a eles toda a gente comarcã a lhe trazer todo o mantimento e refresco necessário e levar peixe, assi deste como d'outro que também ali morre. De maneira que cada armação parece ua feira. Cada armação não traz menos de 70, 80 homens de serviço, com suas barcas e caravelões pera recolher e levar o peixe onde se há-de dizimar e pagar os mais direitos, afora os mercadores do reino e d'outros muitos estrangeiros que tratam nele e o levam a suas terras.»

A pesca do atum no Algarve interessou particularmente aos armadores e pescadores catalães e italianos, sobretudo Sicilianos. Em 1367 armadores Sicilianos estabelecidos em Lagos levam a cabo experiências visando uma maior eficácia das almadravas, e em 1440 D. Duarte arrendou-as a uma sociedade de Sicilianos. Depois, em 1485, catalães e italianos exportavam milhares de arrobas de atum salgado para os seus países a partir do porto de Lagos.

No princípio do Séc. XVI, Lagos caracteriza-se pelo rápido crescimento demográfico, e o mais importante porto de pesca e centro de exportação de pescado da Europa, especilamente do atum para Itália. Portimão e Faro eram caracterizados pela exportação dos frutos secos. Mas também o sal, que torna esta zona, no maior produtor e exportador da Europa. Tão avultado era o comércio que se fazia no porto de Lagos, que incitou a cobiça dos Franceses, os quais infestaram os mares com corsários, que sequestravam as caravelas com carga, a tal ponto que foi pedido ao D. Joao III que interviesse na defesa da costa e do apoio ao tráfico marítimo.
Os Sicilianos se estabeleceram em Lagos, e por aqui ficaram mais de um século, foi-lhes concedidos regalias especiais, pela importância e ensinamentos de novas técnicas, de salgar o peixe, que abriu a possibilidade de exportar em grande escala. Em 1537 os nobres Sicilianos naturais de Messina, junto a alguns genoveses e milaneses, fundam em Lagos com a autorização e direitos concedidos pelo papa a Igreja Nossa Senhora do Porto Salvo, pelo facto da comunidade ser de alguma forma relevante, e com uma identidade bem definida. Elegem um capelão para celebrar missas, aos sábados e domingos de cada semana e para administração de sacramentos. Constituírem uma cofraria com sede na igreja de S. Bráz. Em 1546, finalizam os trabalhos de edificação da igreja. Alguns anos depois começam a surgir alguns desentendimentos e cobiça do local. Até que alguns monjes decidem construir um convento no mesmo lugar, projeto que virá a ser pedido a apreciação aos membros da comfradia de Felipe em 17 de agosto de 1598. O conflito se resolve dois anos depois, com um compromisso em 27 de julho de 1600 frente ao notário Afonso Alves Camacho e a presença do governador do Algarve. Os frades, em troca de poder levantar seu convento, se comprometem a celebrar e manter os mesmos princípios, como funerais e todos os exercícios espirituais que
se celebravam antes, na igreja de Nossa Senhora de Porto Salvo, em benefício exclusivo dos italianos.



Este trabalho de pesquisa, valorizou meu conhecimento da história de Lagos no campo económico e industrial, muito se poderá escrever sobre este assunto, a cidade estava no top do mundo na indústria e exportação do peixe, do sal e frutos secos, existiram mais de 10 fábricas de conserva de sardinha, nos anos cinquenta ainda metade funcionava em pleno. Não só os descobrimentos escreveu Lagos na história do mundo, por isso a necessidade de lembrar que a história de Lagos não se resume somente à epopeia dos descobrimentos, também na economia, como pioneira na indústria dos derivados do mar e dos negócios da exportação, um passado tão rico que não nos podemos dar ao luxo de esquecer, e ao mesmo tempo, lembrar os lacobrigenses e todos aqueles que de longe vieram para contribuir para o desenvolvimento desta cidade.
A pergunta que gostaria de fazer a alguém, seria, o porquê de tanta confusão e falta de informação no monumento, considerado património de interesse histórico, construído pelos Sicilianos? A Igreja Nossa Senhora do Porto Salvo, que no portal da Câmara Municipal de Lagos é conhecido simplesmente, por, Ruínas do antigo Convento da Trindade, e nenhuma referência à história das verdadeiras raízes do monumento. Já o Ministério da Cultura, vai mais longe, aqui o monumento, é conhecido por, Antigo Convento dos Frades Trinos, com uma pequena referência à confraria de Porto Salvo.
Seria conveniente uma maior atenção, aquelas pequenas coisas que deixaram de ter interesse por vontade do tempo, razão pela qual, hoje estão num profundo abandono, físico e literário.



P.S.: Este monumento é muito valioso, não só pela sua história, mas pela localização onde está implantado. Seu terreno arável é muito cobiçado, paredes meias com urbanização da Iberlagos, e com a casa que a Angelina Jolie quer comprar. Não podemos deixar que os privados, o dinheiro, seja mais forte que a vontade dos lacobrigenses, uma consulta pública exige-se.


Senhor Dr. Júlio Barroso, sei que é um adepto da Blogesfera, sei também que o senhor como lacobrigense e amigo, gostaria que aqui no Convento da Trindade fosse feito algo para a cidade e para os lacobrigenses, parar toda esta degradação e abandono do monumento, também sei que a pressão gananciosa de alguns sobre o senhor é constante. Juntos vamos conseguir acabar com este desprezo, e dar razão à nossa história. Um “Museu da Pesca do Atum”, lembrar os Sicilianos, e tudo relacionado, como a indústria do sal, a estiba,etc. No seu terreno com aquela vista espetacular virado para o mar, um jardim do silêncio, onde depois da visita ao museu, possamos sentar, reflexionar , contemplar, e pelo meio, uma merenda com os olhos no mar, ler um livro, sei lá. Esse silêncio aí encontrado, foi a razão pela qual os Frades Trinos construiram aí seu convento, contra a vontade dos sicilianos.
De certeza que o turismo italiano nos irá procurar com mais interesse, porque turismo, não pode ser só praia, é também cultura, esse turismo cultural, que vai faltando em Lagos.




Quanto vale esta mancha verde?



Referências:
70 IANTT, Livro Sexto de Misticos, fols. 164v.-166v. (Vease la transcripcion y traduccion en V. D’ARIENZO-B. DI
SALVIA: Siciliani nell’Algarve..., p. 170-175).
71 ASN, Camera della Sommaria-Partium, 123, fols. 36v-37 (Vease la transcripcion. V. D’ARIENZO-B. DI SALVIA:
Siciliani nell’Algarve..., pp. 185-186).

Para consultar este monumento no ministério da cultura:
http://radix.cultalg.pt/visualizar.html?id=13046
Para consultar este monumento na Câmara Municipal de Lagos:
http://www.cm-lagos.pt/portal_autarquico/lagos/v_pt-PT/menu_turista/concelho/cultura/museus/ruinas+historicas/

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

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Património Mundial da Humanidade


Como é de vosso conhecimento, Lagos vai geminar-se com o concelho da Ribeira Grande de Santiago, em Cabo Verde, neste concelho, encontra-se a Cidade Velha que devido à sua rica história, foi considerada património mundial da humanidade pela UNESCO. O objectivo é aprofundar o conhecimento sobre as tradições e costumes entre os dois municípios. O acordo já foi aprovado em reunião na Câmara Municipal de Lagos. Ler AQUI.
Esta aproximação cultural, não será exclusivamente (na minha opinião ), uma relação histórica com Lagos, mas um objectivo político do futuro de Cabo Verde, com a integração na União Europeia. Admirou-se! Sim, União Europeia.
Este arquipélago descoberto em 1460 por Diogo Gomes ao serviço da coroa portuguesa, que encontrou as ilhas desabitadas e aparentemente sem indícios de anterior presença humana, conjuga uma identidade africana (por razões meramente geográficas) e europeia – resultantes das raízes histórico-culturais.
Daí, a reivindicação política da integração de Cabo Verde na União Europeia, seja apoiado e patrocinado por muitos, como pelo Professor Adriano Moreira e o Dr. Mário Soares.
A pretensa aproximação cultural de Cabo Verde à Europa têm como substrato lógico a reivindicação de um argumento que se assenta, sobretudo, na construção de uma dinâmica de poder cujo centro político de referência se projecta por intermédio da cultura e o seu legado histórico: “a chave desta questão é a identidade cultural. É esse o critério de adesão. E nesse contexto, Cabo Verde também é Europa. Senão como justicar a entrada da Turquia na União Europeia?”.
Ora, aqui temos um caso, como o outro, diria. Sendo assim, eu me junto às personalidades públicas deste país, para que, se a Turquia um dia entrar na União Europeia, então que Cabo verde, venha a seguir.

PS: E, então, ainda sem querer, acabo de me meter, onde não sou chamado! Ou seja, deixei por momentos a minha covardia egoísta de querer fugir aos meus pensamentos políticos, escondendo-os. No fundo, com ou sem política, o que gosto mais neste post, é sem dúvida, o video inédito de Cesária Évora, no tempo em que ela, cantava sómente lá na rua dela (no bairro Lombo, nas imediações de aquartelamentos do exército português) . Até, que um dia, um Francês viu, ouvio, gostou e levou-a para França para gravar. A partir daí, já conquistou um prêmio Grammy de melhor álbum de world music contemporânea, e o presidente francês Jacques Chirac distinguiu-a com a medalha da Legião de Honra de França (Cabo Verde uma colónia francesa? Não,não me parece!). Os portugueses, esses, gostam muito, e mais nada.
Por que não ir mais longe? A identidade cultural desta senhora, e o legado histórico desta antiga colónia portuguesa, seu país, pode ser a chave no intercâmbio de informações e experiências, em matérias de interesse comum, como a cultura, entre os dois municípios, Lagos e Ribeira Grande de Santiago(primeira cidade construída pelos portugueses nos trópicos). Sendo assim, Dr Júlio Barroso, traga a Lagos "Rainha da morna" a Cesária Évora.

Apreciem bem todos os detalhes do video, e claro a música(especial atenção, aos instrumentos de corda) e a simplicidade de todo o trabalho artístico, que na minha opinião é o melhor de Cesária Évora.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

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Camaleão, consegue encontrá-lo em Lagos?


Será que Lagos e o Algarve está saudável em termos ecológicos?
Uma boa prova disso, é quando ainda por aí se encontra cameleões, mas lembre-se, os cameleões não são animais de cativeiro, e estão em vias de extinção.
O Camaleão é um réptil conhecido por mudar a sua côr para se adaptar a um ambiente ou a uma situação. Esta estratégia o ajuda a se proteger de potênciais predadores e passar desapercebido por eles.
Além desta característica, possui a capacidade de movimentar os dois olhos independentemente e também de enrolar a cauda para se agarrar.
De hábitos diurnos, costuma ao amanhecer colocar-se ao sol para caçar todo o tipo de insectos, como gafanhotos e outros artrópodes.
É um lagarto imponente, com uma bela crista que vai da nuca até à cauda e aparece também no papo. Os machos, normalmente, são mais coloridos e com ornamentações mais proeminentes na cabeça. No período reprodutivo, os machos descem dos arbustos para encontrar uma companheira. É uma espécie ovípara, e as posturas variam entre 30 e 40 ovos, que são depositados no solo.
A incubação é longa, dura de 8 a 9 meses. Ele atinge a maturidade sexual em um ano e pode viver de 4 a 5 anos.
Acredita-se que o Camaleão da Meia-Praia, derive de exemplares introduzidos pelo homem em épocas remotas, trazidos da floresta Amazônica, e que se adaptou muito bem por aqui, e por todo o Mediterrâneo .

Queria com este post, alertar para os perigos que camaleão corre e, se possível, ajudar alguém que se depare com a situação de lhe aparecer um camaleão pelo caminho, para que o ajude, não o incomode, não o leve para casa, na Privavera, muitos morrem ao atravessar a estrada, ajude-os, porque são extremamete lentos. Dado que os camaleões são animais que hibernam nesta altura do ano, é suposto o camaleão estar enterrado na areia a gozar "um longo sono" até à Primavera. Porém, muitos são aqueles que teimam em levar o cãozinho para sítios onde estes animais hibernam, culpa das autoridades, que perdeu a motivação, para preservar este único meio ambiente, com sinalização apropriada. Não é por falta de conhecimento.

Em 2005 a Câmara Municipal de Lagos, e o Instituto do Ambiente deram a mão a um projecto, que participaram 231 alunos das escolas do concelho de Lagos. Este projecto teve como tema as dunas da Meia-praia.” Estas dunas constituem um exemplo típico de um cordão dunar litoral, que forma uma barreira natural entre o estuário e a baía de Lagos. É habitat para muitas espécies de fauna e flora, algumas das quais endémicas. À semelhança da maior parte da linha da costa algarvia, as dunas da Meia-praia têm sido alteradas, e muitas das vezes destruídas, quer por factores naturais (por exemplo a erosão), mas sobretudo por factores humanos, como o urbanismo desordenado, o pisoteio, a introdução de exóticas, entre outros. Estes e outros assuntos foram trabalhados pelos alunos envolvidos, ao longo de 3 sessões (cada turma), divididas entre 1 aula teórica e duas saídas de campo ao local de estudo.
Algumas das acções dinamizadas no projecto foram integradas num estudo realizado pela associação A Rocha, e que visou a monitorização da nidificação da Chilreta e do Borrelho-de-coleira-interrompida e a aplicação de medidas de conservação para estas duas espécies.”
Fotrografias e o projecto aqui: http://www.spea.pt/MSA/fotos.html


PS:Existem algumas áreas em redor de Lagos que são consideradas ambientalmente sensíveis, num proximo post vou mostrar alguns estudos sobre o assunto,como por exemplo o Paúl de Lagos que é uma zona húmida que se encontra à entrada da cidade.
Neste momento continuam em curso estudos sobre os valores ambientais da área para transformá-la numa área dedicada à educação ambiental.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

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A aparição


Na Ponta da Piedade, as formas das falésias, esculpidas pelo mar e pelo tempo, constitui um cenário paradisíaco, de rochedos recortados em constante contraste com o azul esverdeado da água do mar, para além de toda esta beleza, a Ponta da Nossa Senhora da Piedade, é um local Sagrado, um Santuário por natureza, história, encantos e tudo aquilo que é possível imaginar. Aqui apareceu a imagem de Nossa Senhora da Piedade aos pescadores, segundo reza a lenda. O facto foi asinalado no cimo duma rocha, com um marco em pedra, que sinalizava, o lugar exacto da aparição da Nossa Senhora da Piedade, marco bastante significativo para os pescadores, que os guiava à fonte de protecção, e da força espiritual, que bem precisavam, sempre que a terra, começava a perder-se de vista, e o caminho era o além, mar. Marco esse, que já lá não está, caio no mar, e ninguém mais o repôs no sítio.Os que acreditavam nestas crenças eram os pescadores, que nos dias de hoje são poucos, e os milagres da Nossa Senhora muito menos. Até as gaivotas, que por natureza aí habitavam, trocaram esse rochedo pelos telhados de nossas casas, pura coicindência

Os tempos são outros, a crença sem ter provas, deixa de ser crença para se tornar numa história banal pouco relevante, e muito difícil de explicar a um Inglês. Mais fácil, será apontar para um sapato no meio do mar, o Inglês olha desconfiado sem perceber,ao fim de alguns segundos: Há Háááá! ”the shoe”, bate-lhe na cabeça, e entende que de facto aquela rocha, asemelha-se com um sapato, a partir daí pode imaginar tudo aquilo que bem entender, mesmo que, nada tenha a ver, com o nome registado das rochas, que homem do lemo aprendeu com o tempo, como: a boneca, a vinha cavada, a balança, o arco do triunfo,o buraco da avô, etc. Enfim um nunca acabar de aparições, que irá entreter o turista, na sua viagem a este extraordinário
lugar, as grutas da Ponta da Piedade.


Esta lenda, tornou este local para muitos, num sítio Sagrado, um lugar de tradicional romaria, tanto por terra como por mar, tudo isso, deu origem à ermida da Nossa Senhora da Piedade para veneração e culto à imagem da santa. A devoção à santa vem de longa data, a procissão por mar em honra da Nossa Senhora da Piedade, era uma festa feita pelos pescadores à sua padroeira, muitas traineiras e outras pequenas embarcações se juntavam. Esta festa era uma procissão feita com a imagem de Nossa Senhora num barco, e acompanhada por tantos outros barcos enfeitados de propósito para esta festa em honra da Santa. A procissão do mar, partia do cais da Solaria, e dirigia-se ao local de culto, a Ponta da Nossa Senhora da Piedade. Hoje, o pescador já não vive esta mística original, ainda se faz a procissão, mas com alguma tímidez, não tão expresssiva. O sentido, não sei, se continua a ser de confiança na protecção da Mãe de Deus, face às tempestades da vida.


A ermida da Nossa Senhora da Piedade, segundo relatos históricos, foi mandada deitar abaixo. Cedida ao Ministério da Marinha em 12 de Janeiro de 1912, a fim de ali ser construído o farol. Apesar da ermida ser muito antiga, e estar muito arruinada, a Igreja não cedeu facilmente às exigências do estado político, o processo demorou alguns anos até ser resolvido. Esta ocorrência ficou registada em documentos, mais precisamente, na acta da sessão da Junta da Paróquia da freguesia de Santa Maria de Lagos de 19 de Junho de 1910:
«... Era com bastante mágoa que consentia que se fosse demolir uma ermida edificada há tantos séculos, aonde o povo concorre, principalmente os marítimos, em romaria por devoção a Nossa Senhora da Piedade; mas como esta junta não pode ir de encontro às determinações e ordens superiores, por isso se sujeita à demolição da referida ermida, para n’esse local se construir o pharol em questão...»
PS: Este post, tem como finalidade a busca de compreender melhor este lugar, para que de futuro o que aqui, se venha a projectar, deva passar antes por consulta pública. E claro, chamar a atenção das autoridades competentes, para que o marco que existiu no topo da rocha, seja reposto no seu devido lugar, é um marco com grande significado histórico, especialmente para os homens ligados ao mar, e claro para nossa história cultural.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

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Os índios da Meia Praia, somos todos nós!



Espero que gostem, desta animação 3D para o tema "redondo vocábulo" de José Afonso.Interpretação livre sobre a angústia de uma gestação ou maternidade em tempos de guerra no ultramar.

Cometemos o erro da solidariedade apressada, para com os “índios”, assim baptizados não se sabe muito bem por quem! criados pela imaginação miserável dos tempos, estes índios que nunca foram índios, mas sim, pessoas como muitas outras, que hoje vindas de mais longe, por aí vagueiam, sem rumo, sem tecto pelas ruas da amargura, de nossa cidade.
Toda essa solidariedade, não nos deu, mais do que um grande homem, um professor, conhecedor da realidade social de Lagos, e acima de tudo, um grande artista, que a "Luar" apadrinou. Mas não venhamos para aqui falar de politicologia, não é a idea deste blog, que fique bem claro, preferências à parte, este senhor merece simplesmente, um comentário à sua grandeza artística, e por ter imortalizado a Meia Praia, com a canção: "Indios da Meia Praia", o Grande Zeca Afonso.

Quanto à Meia Praia em si, o que me surpreeende é que passados mais de 30 anos, continua-se a cometer os mesmos erros, que no passado, só que em proporções asustadoras, o que pôe em perigo toda esta paisagem natural.
A Meia Praia vai ter sete hotéis, vários hotéis de quatro e cinco estrelas vão povoar toda esta zona. Trinta milhões de euros é quanto custou o Hotel Vila Galé de quatro estrelas, o primeiro de sete hotéis a ficar concluído na Meia-Praia. A unidade hoteleira só conseguiu avançar após a aprovação, em Julho de 2007, do Plano de Urbanização (PU) da Meia Praia, uma medida que veio permitir a construção de hotéis de quatro e cinco estrelas naquele areal. Segundo o presidente da Câmara de Lagos, Júlio Barroso, a decisão representou a conclusão de um "longo processo e o início de uma nova e boa fase" para Lagos, por representar um "ordenamento com objectivos estratégicos definidos para a zona da Meia Praia". A seguir ao Vila Gale, vai-se construir: O Iberotel, de cinco estrelas, do grupo com o mesmo nome: a reconstrução do hotel da Meia Praia, de 4 estrelas, pelo grupo Palmares; o Palmares Onyria, de 5 estrelas, considerado Projecto de Interesse Nacional; o New Paradigm, de 5 estrelas, de um grupo britânico com o mesmo nome; e o Resort Baía Meia-Praia (PIN de 5 estrelas), que terá três hotéis e um aldeamento turístico, do grupo SDTL.

E agora! os Índios, e as Dunas? O Vila Galé Lagos está implantado em forma de U, com o objectivo de optimizar a vista para o Oceano Atlântico, que de momento, tem vista para as casas dos Índios, e estes, não querem sair de lá. O presidente da Cámara de Lagos disse à Lusa: que o bairro está muito degradado e que aquela população, compreende que não é compatível aquele bairro, com hotéis de cinco estrelas.


Esperemos, que toda esta disputa, não deixe para segundo plano a Natureza em si, as dunas da Meia Praia, por sua importância e singularidade, devem ter uma maior atenção por nossa parte, no que se refere ao impacto ambiental. Já deveria ter sido equacionado há muito mais tempo, toda esta revolução urbanística, antes de qualquer decisão ter sido tomada, esta obra é objecto de controvérsia em razão do suposto impacto ambiental que poderá causar graves danos ao património natural. Onde estão os estudos do impacto ambiental, onde se pode consultar? Este património natural e único, devia ser um marco na preservação do património natural nesta região, e resguardado para todos nós.


As Dunas da Meia Praia forma-se pela sedimentação marinha e o vento, são formações de areia únicas na costa portuguesa, com um ecossistema ímpar, numa paisagem singular. A areia e o vento fazem seu trabalho diário, esculpindo uma nova paisagem, a cada dia que passa. Somos privilegiados, este momento da natureza é só nosso. Amanhã outros serão brindados com um novo espetáculo. Mas para isso, é necessário, que haja um amanhã. Para tal, é de exigir um maior cuidado num estudo mais aprofundado ao impacto, a esta ameaça ao natural futuro das Dunas da Meia Praia.

“A Terra levou alguns bilhões de anos para construir as rochas, os minerais, as montanhas e os oceanos. Proteja esta obra-prima!“

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

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Jaiminho Despachadinho


Video: O general sem medo, Humberto Delgado

Num daqueles dias chuvosos, alguém abrigado da chuva, debaixo dum toldo de uma loja, apercebe-se do Jaiminho Despachadinho, no seu habitual passo lento e relaxado (a caminho da loja), e grita:- Corra homem, senhão chega à loja todo molhado! O Jaiminho olha e com aquele sorriso de quem sabe as respostas para tudo, responde: Correr! para quê, se posso chegar molhado, mas nunca cansado.
Nas coisas pequenas, mais que nas grandes, muitas vezes reconhecemos o valor dos homens, e
são estas pequenas coisas simples da vida, que tornou este homem numa pessoa tão especial e extraordinária, para todos aqueles, que tiveram o previlégio de o conhecer. Por essa razão, hoje, o recordo aqui, com saudades.
Deixo também o testemunho sobre este homem (e outros), de alguém, que conheceu e admirou este homem de perto, o José Borba Martins.

« OUTRAS MEMÓRIAS E O GIGANTESCO DR. TELLO

E que dizer do insupeitadamente cultíssimo e poliglota Mestre Despachadinho, em cuja loja funcionou a sede local da campanha do General Humberto Delgado?…Genial aquela sua resposta a um tipo do Norte que queria comprar chumbadas e lhe perguntou se tinha “tomates de chumbo” (com ‘c’) ao que o Mestre, com aquele seu andar característico e nada apressado lhe respondeu, mirando-o de soslaio por cima do ombro e levando a mão à anca: “Não, não, isto é só uma dôrzinha aqui nas costas”…

Muito viva é também a memória do Coronel Rocha de Abreu, que integrou a S. P. Teosofia, outro superior espírito que empreendeu entre nós a notável “Casa de S. Gonçalo”, assim como é essencial relembrar – hoje mais que nunca – essas tranquilas lições cívicas de vida do enorme Dr. António Guerreiro Tello, com consultório um pouco mais abaixo, inestimável para tantos lacobrigenses. Conta quem assistiu, que proferiu um discurso inolvidável na Praça da Música, nos anos 50, em que explicou à Cidade porque decidiu não aceitar o convite que o regime do Estado Novo lhe fazia para ir para Lisboa como deputado. No final, tardaram os aplausos unânimes porque todos os que o ouviram, ou seja a totalidade da praça (a cidade de então em peso…), ficaram literalmente em lágrimas, com alguns em pranto convulsivo…

Aqui fica uma única sugestão para quem a possa concretizar: já tarda homenagear, mais do que em nome de rua, com uma estátua ainda maior que a do tamanho real desse gigante de humanidade e altruísmo que escolheu viver na nossa Grande Cidade. O nosso Tolentino de Lagos certamente aceitará materializar esse imperativo de tão vivo traço da consciência colectiva com desconto especial.

Por mim, antevejo que a estátua seja colocada em pé e sem pedestal nessa mesma praça de tão indescritível discurso. Em pé em homenagem à sua verticalidade e ao lado dos seus iguais, como tão sabiamente soube estar e ser sempre tão essencialmente útil.»

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

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Guerra Colonial





O povo está com o M.F.A. mas porra, isto não è uma colónia das Forças Armadas.

A vista parcial da Baia, do parque de Campismo Militar, em Lagos.

Como ex-militar não poderia deixar de responder e saudar todos aqueles que são e foram militares. Fui militar na FAP, especialidade integrada nas forças da NATO. Orgulho-me muito não só da especialidade, como nas funçoes que desempenhei. Tenho uma enorme satisfação em ter dado o meu contributo, em prol da Pátria.

A questão è a seguinte: a maioria de nós prestou o serviço militar obrigatório, porque raio, só uma pequena minoria, reserva-se ao previlégio, que è de todos, de passar férias no Algarve e comtemplar esta paisagem ùnica e exclusiva, por uma misera quantia, que varia de 5 a 30 euros por fim fim-de-semana? por exemplo na Messe, duas noites, 11,25€, com pequeno almoço. Consultar preços aqui: Preços de Fim de Semana
Dever cumprido, a guerra acabou, fora daqui, marchar, marchar. Ou será que temos que entrar em estado de sítio, para deixarem as colónias? claro um acordo è possível, mas tem que ser rápido, a cidade de Lagos não se pode dar ao luxo de esperar muitos mais anos, com esta ocupação prevíligiada de alguns.
Lagos precisa deste espaço, para lazer dos lacobrigentes e daqueles que nos visitam, è um espaço nobre e ùnico, como poucos há.

Agora a noticia: sabiam que a Câmara Municipal de Lagos, quer construir um hotel no Parque de Campismo Militar?ou será na messe? chocado e confusso fiquei, ao ler este blog (Não Deixem a M.M.L. Morrer!) , que penso ser, de algum General no activo, das Forças Armadas.
Escreve este General no seu blog, e dou-lhe toda a razão, quando diz:
"a M.M.L. devia pertencer às Forças Armadas, pois sabe gerir o espaço e cuidar bem dele ( não sei se é verdade, mas ouvi dizer que a Câmara Municipal de Lagos quer fazer um hotel no parque de campismo da M.M.L. ). Por isso, venho publicar este blogue para mostrar como a M.M.L. é um espaço que é maravilhoso e que é preciso ( a meu ver ) salvá-lo do destino que a reserva, destino esse que pode ser uma página negra na história de Lagos."( aliás, dois hotéis pertencentes M.M.L. [ mas noutras zonas da cidade ] já foram cedidos à Câmara Municipal de Lagos, e antes de isso acontecer, eram espaços a frequentar por excelência)."
O povo ė quem mais ordena, toca a marchar, marchar e marchar, para nossa cidade encantar...
( sem querer fiz um verso)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

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A escravatura


Por vezes interrogo-me, se será hipocrisia, mexer nas feridas do passado, naquilo, que ninguém quer falar, que atormenta os pensamentos. Um tabu, que me faz pensar, há já algum tempo a esta parte, e que voltou com alguma intensidade, quando a terra foi mexida, e apareceram mais vestigios do tráfico humano, nas escavações na Praça D`armas, onde numa antiga lixeira, datada dos séculos XV a XVII, foram encontrados 140 esqueletos de escravos africanos, abrindo todo um novo campo de conhecimento, sobre os Descobrimentos Portugueses. Todos estes acontecimentos, fez aumentar, este sentimento de alguma forma de culpa e responsabilidade de nós todos portugueses, perante a escravatura.

Nada melhor, do que nesta data, para falar no assunto. Na evocação dos 550 Anos da Morte do Infante Dom Henrique (que se assinalam este ano) e, simultaneamente, da descoberta de Cabo Verde, o que faz com que um acordo de geminação, irá ser presente à Assembleia Municipal, para aprovação, entre Lagos, e a Ribeira Grande de Santiago que foi a primeira cidade construída pelos portugueses em África. Seria oportuno também, recordar, estes 6500 milhoes de seres humanos, e levar à Assembleia Municipal, para aprovação, um estudo para um projecto, para a implantação de um monumento, dedicado a todos estes seres humanos, que foram vítimas da escravatura.

Sim, um monumento, bem melhor que o exemplo americano, onde o presidente norte-americano Barack Obama classificou de "histórica" a resolução adoptada pelo Senado, que apresentou formalmente desculpas, em nome do povo americano, pela "escravidão e a segregação racial" para com os negros americanos. A resolução, deixa, todavia, claro que não pode servir de base "a uma queixa contra os Estados Unidos. Neste caso parece-me hipócrita, porque esta resolução, não serve absolutamente para nada. Porque de resto, continua praticamente tudo na mesma.

O que proponho, é um monumento, desculpas à parte, o Papa já pediu desculpas em nome dos católicos. Quem devia pedir desculpa em nome de Portugal, era o Infante D.Henrique, que em 1444 enviou uma caravela à foz dos rios Senegal e Gâmbia e regressou a Lagos com 235 escravos a bordo. Foi o início de Portugal, no comércio da escravatura. Portugal, entre os séculos XVI e XIX, foi responsável por uma das maiores, se não a maior, transferência forçada de seres humanos da História da Humanidade entre África e o Brasil.6.500.000 (seis milhões e quinhentos mil seres humanos traficados):4.000.000 de sobreviventes + 1.500.000 mortos na marcha até ao litoral para embarque+ 500.000 mortos nas fortalezas onde esperavam embarque+ 500.000 mortos no Atlântico[Números aproximados]

Os portugueses orgulham-se em apregoar que Portugal foi o primeiro país do mundo a abolir a escravatura em 1761, a verdade é bem outra. Orgulho esse, que deve sempre existir, no aspecto científico dos descobrimentos, o espírito aventureiro, corajoso e destemido do povo português, fez com que as viagens fossem cada vez mais longe, avançando em mares nunca dantes navegados, como cantou Camões. O conhecimento de novas terras e mares, de novas gentes e culturas e a valorização da experiência, foram a grande dádiva dos Portugueses à Humanidade.
A cidade Lagos foi pioneira nos Descobrimentos, pelo longo caminho das descobertas, foram cometidos muitos erros, reconhecer esses erros não é humildade, talvez seja ambição, um orgulho enorme para Lagos, e para os lacobrigenses, a coragem para enfrentar este tabu, que atormenta os portugueses, e que Portugal, a todo o custo, tenta distanciar-se, como se nada tivesse a ver com o assunto.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

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Paul McCartney em Lagos no ano de 1968

image: http://www.dailymail.co.uk ( Paul McCartney na praia da Luz em 1968)
Muitos serão aqueles que desconhecem, a paixão pelo Algarve, e a amizade de Paul McCartney, com um amigo, que viveu aqui em Lagos muitos anos, no Porto de Mós. No tempo em que lá existia apenas meia dúzia de casas. Frequentava aquela praia uns poucos intelectuais de Lisboa que vinham de férias todos os anos para os mesmos sítios de costume, enquanto os locais passavam pelo Porto de Mós, apenas para apanhar ourices do mar, ou para recolha do barro cinzento para tratamento da pele. Um pouco mais atrás no tempo, digamos que era uma praia para uso militar, especialmente para exercícios, onde os rebentamentos de granadas e outro tipo de explosivos era frequente, por isso mesmo pouco aconselhável a banhistas.
Mas de este amigo, que nos visitou 30 anos depois e se espantou com a nova realidade da cidade de Lagos,vou falar num outro post, este post é do Paul McCartney.

Numa noite de final de ano, uma inesperada visita bateu à porta deste nosso amigo, (que na altura vivia na Praia da Luz, freguesia, que na altura já devia ter uns 20 ingleses residentes), um taxi vindo do aeroporto de Faro, que transportava um casal, sem escudos no bolso para pagar a viagem ao taxista, era nem mais nem menos que o famoso Sir Paul McCartney, com a sua namorada com quem viria a casar, a Linda McCartney. Ficou na casa deste nosso amigo, duas semanas de férias no Ano Novo de 1968/69. Devo acrescentar, que não era a primeira vez que Paul McCartney, visitava o Algarve, aliás, a letra da canção "Yesterday", uma das mais emblemáticas canções de Paul McCartney e dos Beatles, foi escrita em Portugal, dentro de um carro, no trajecto de cinco horas, por estradas más, na altura, entre Lisboa e Faro. Foi o próprio McCartney que o confessou no livro "Yesterday And Today", editado em 1995 nos 30 anos da canção.

Mas a outra famosa canção entre nós"Penina"foi escrita quando ele esteve de férias aqui em Lagos. A canção foi dada aos "Jotta Herre"os Beatles portugueses. Os "Jotta Herre" era uma banda, que tocava no Hotel Penina, no Algarve, perto de Portimão.

O próprio Paul McCartney conta parcialmente a história de "Penina" no fanzine do antigo clube de fãs de McCartney, "Club Sandwich": "Fui a Portugal de férias e uma noite, quando regressava ao hotel, já alegrote, resolvi tomar mais uns copos ao bar. Estava um grupo a tocar e eu acabei por ir parar à bateria. O hotel chamava-se Penina e improvisei ali uma canção sobre esse nome. Alguém me perguntou se podia ficar com ela e eu dei-lha. Nunca pensei em gravá-la eu próprio"

Na versão, do Giuseppe Flaminio, um membro da banda "Os Jotta Herre "hoje representante da Universal Music em Portugal, Conta:

"naquela noite, juntámo-nos todos à volta de Paul e de Linda, bebemos um copo e então ele propôs: vamos tocar. Passava da uma hora da manhã e o Paul deu um show inesquecível. Tocou sucessivamente piano, baixo, guitarra e bateria. Tocou bateria como eu nunca tinha visto um músico tocar". "Cada vez entrava mais gente na sala. Paul voltou à bateria e pediu "one minute". Começou a cantarolar e desafiou a malta para tentar acompanhar a sequência harmónica que estava a sair. Eram 4 horas da madrugada e, logo ali, compôs e cantou a música e a letra da canção que nos ofereceu. No fim, pôs-lhe um título, o nome do hotel". (...)

Coisas de outros tempos, como o tempo é um recurso não reciclável, na minha opinião é sempre bom relembrar estes acontecimentos, só para que não caia no esquecimento! ...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

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De motorista a hoteleiro...




Este foi o primeiro Hotel no Algarve, em princípio abriu como estalagem, e foi considerado na época, um projecto moderníssimo e futurista, sem dúvida alguma se emquadrava bem nos dias de hoje com a nova câmara municipal de Lagos. Esta estalagem era direcionada em princípio a viajantes, e outras pessoas ligadas ao ramo dos transportes, dai o nome de São Cristóvão, o Santo protector dos motoristas e dos viajantes, mais tarde, foi ampliado para Hotel e perdeu toda a sua traça original.

Tudo isto foi a idea, dum grande homem que recordo: pessoa muito activa, alegre, um homem confiante, que não precisou de provar nada para ninguém nem se gabar de seu sucesso, mas que gostava de se mostrar no seu mercedes, talvez para compensar, o charmo e a vaidade que não tinha, e que talvez, em certas ocasiões , senti-se a falta, devido ao grande empenho naquilo que fazia, e o estatuto daqueles que mais o admiravam, e seus serviços procuravam.
Aliás, num post mais atrás, já o Tínhamos mencionado, o Hermano do Nascimento Baptista, (18 de Maio de 1907 - 2000, na fotografia ao lado o 3 da direita em baixo). Antes de se realizar como empresário de hotelaria e chefe de cozinha, foi motorista de autocarros, e também teve um negócio no comércio de frutos secos. Construiu o Hotel de São Cristóvão em Lagos, a primeira unidade hoteleira no Algarve.
Um grande entusiasta da culinária, tornou-se num "mestre" desta arte, representando, e servindo banquetes de gastronomia regional algarvia em diversos eventos, em Portugal e no estrangeiro. Um artista culinário, que em forma de brincadeira ou não, dizia-se: que, o Hermano, em certos banquetes, conseguia iludir os convidades e servir(brindar) estes, com pratos, onde a lagosta abundava, só que no fundo, (sem que ninguem se apercebe-se do truque), não era nem mais nem menos, que "arraia", um peixe com polpa branca, como a lagosta, mas, muito mais barato que o precioso marisco, genial!
Por tudo isto, recebeu a medalha de mérito "Grau Ouro" da parte da Câmara Municipal de Lagos.

Relacionado com tudo isto, li, há já algum tempo um artigo sobre esta zona ribeirinha, onde este hotel ainda se integra, assim como o arquitecto que projectou tudo isto, caso não tenha tido a opurtunidade de ler, fica aqui este link, onde se pode ler entre outros assuntos, o seguinte:
"A estalagem e uma bomba de gasolina que lhe era adjacente formavam o Posto Rodoviário de Lagos, que constituiu o trabalho de final de curso para defesa de tese e obtenção do diploma de arquitecto do seu autor, o arquitecto António Vicente de Castro, que obteve, na Escola de Belas Artes do Porto, em 1955, a média final de 19 valores."
Leia o resto aqui: Arquitectura Modernista no Algarve: a propósito dos «barracões» que envolvem a nova Câmara de Lagos



segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

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O João Cutileiro que conheci.


"Passei a minha vida toda, penosa e lentamente, escalando até ao cume do Evereste. Agora velho, "quebrada a espada já, rota a armadura", olho para trás por cima do ombro e vejo que me enganei"

João Cutileiro

O Largo das Freiras sempre me fascinou, pela beleza das árvores, da história, escondida no velhario das casas e especialmente da Igreja velha, que apesar de abandonada ainda por lá habitavam as imagens em madeira da religião, decapitadas algumas, por brincadeira ou má fé, os montes de livros antigos cobriam o chão, o cheiro intenso a velho pairava no ar, o abondono e o sossego dum templo, onde uma enorme cruja, escolheu para habitar, as pulgas eram tantas, que sempre que podiam tentavam fugir, agarrando-se a nossas pernas, por vezes subia-mos à torre para tocar o sino.

Imagens que recordo com saudades, em minha inocente idade, aí brincava, em frente à casa do Cutileiro, pessoa um tanto asustadora e misteriosa, um olhar ameaçador constante, que nos fazia parar nas nossas brincadeiras do quotidiano, sempre que o Cutileiro regressava a casa no seu velho Citrôen 2 cavalos branco, velho e cansado de tantas vezes subir aquela ladeira, que mais tarde acabou por morrer de baixo de uma àrvore, e por lá ficou fazendo a delícia da moçada que nele brincavam. Um alto muro coberto com pedaços de vidros cravados no topo, separava o seu mundo, do mundo dos outros. Mistério, que despertava a imaginação de almas tão inocentes e curiosas, que sempre que possível tentavamos desvendar, subindo, e lá em cima era o contemplar do imaginário erótico em pedra do Cutileiro. Por vezes a sorte brindava-nos, com a arte viva da mulher despida, misturada com a pedra nua em forma de mulher, enquanto o Cutileiro explorava a figura feminina, e projectava no papel a sua nova criação.

Hoje quando se fala do Cutileiro, me vem à memória, estes momentos inocentes de minha infância, e um sentimento que o Cutileiro que conheci, era um homem muitos anos à frente do tempo que vivia, o que o tornava um pouco incompreesível para a população em geral. Não foram tempos fáceis para o artista, penso eu, mas venceu e apareceu com o D.Sebastião, que tanto se esperava num dia de nevoeiro, envolto no pó de pedra, na imagem viva do Cutileiro. O João Cutileiro, venceu na vida e voltou a sorrir, um grande artista, e claro nenhum grande artista vê as coisas como realmente são, caso contrário, deixaria de ser um artista.

Um pouco de João Cutileiro:

Em 1966, numa visita a uma fábrica de mármores em Lagos, descobre as potencialidades criativas, e também económicas, do corte da pedra com máquina eléctrica. Na sequência disto, Cutileiro trabalhará exclusivamente em mármore e pedra, concebendo um estilo escultórico em que os objectos tanto se caracterizam pela simulação de um tratamento artesanal, como ostentam a visível caligrafia da máquina Cutileiro abre a porta para a grande ruptura na escultura portuguesa do século XX, que ocorrerá efectivamente na década de 80. Fá-lo não só através da sua própria obra, mas igualmente pelo trabalho de formador na Escola da Pedra em Lagos, por onde passaram alguns dos artistas, como José Pedro Croft e Manuel Rosa, que protagonizam essa transformação.
A década de 60 marca a escolha da temática que irá dominar toda a sua produção, o erotismo, particularmente explorado através da figura feminina, mas também presente nos seus pássaros e flores.
1973 é o ano de D. Sebastião, a peça mais polémica de toda a sua carreira. Para além dos (muitos) sentimentos que esta escultura, colocada numa praça da cidade de Lagos, possa ter suscitado, D. Sebastião marca uma ruptura definitiva na estatuária nacional, ao ser o primeiro monumento a desafiar a sua lógica comemorativa. Cutileiro apropria uma das figuras mais emblemáticas da mitologia portuguesa, criando um antimonumento, assente na ambiguidade (sexual) do jovem rei, desmistificando simultaneamente o seu estatuto heróico e a suas virtudes guerreiras.

domingo, 24 de janeiro de 2010

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Desafios com coragem e determinação

fotografia do blog: http://umapraca.blogspot.com/

Ganhamos uma praça mais valorizada, um espaço mais imaginário e contemplativo.
A respeito da critica que nunca parece ser suficiente, lembro-me quando se criticava a ocupação de grande parte da Praça Do Infante, pela esplanada do Rosa, a venda abusiva de vendedores ambulantes, em lugares não licenciados, utilizando as árvores como autênticos estendais de roupa.
Em geral as pessoas tendem a observar, valorizar e a contemplar as coisas só quando estas desaparecem. Talvez o futuro de Lagos se encontre em estabelecer uma relação coerente, entre o passado e o presente. Uma coerência obtida por meio de um verdadeiro sentido de pertença e orgulho histórico, construído a um nível local e global, através dos seus espaços públicos, e que integre ao mesmo tempo inovação e preservação histórica e cultural.

O espaço público é o espaço de representação, por estranho que pareça, as cidades tornam-se cada vez mais espaços de transição onde os espaços encaram um afastamento progressivo dos grupos sociais. Neste mundo em constante mudança, por vezes sentimos que não corresponde aquele em que acreditamos viver, porque vivemos num mundo para o qual ainda não aprendemos a observar e aceitar de acordo com nosso estilo de vida. Temos que reaprender a pensar sobre o espaço, para que possamos superar estes desafios. Não se pode dizer, que a identidade da cidade de Lagos está a perder-se no espaço físico, pelo contrário, talvez, esteja a tornar-se cada vez menos humano. Não se pode preservar uma identidade mantendo o ambiente construído “estático” porque os ritmos diários e modos de vida das pessoas alteram-se, a cidade adaptar-se-á instintivamente a essas mundanças, há que dar tempo ao tempo.

Temos que reflectir sobre a crítica = julgamento, de forma que a critica passe a ser mais construtiva, por muito criticos que sejamos, não chega para nos afastar dos desafios que a cidade de Lagos enfrenta no mundo de hoje, todos nós somos responsáveis, queiramos ou não, temos que acreditar.
Calçada portuguesa que me deixa saudades

sábado, 23 de janeiro de 2010

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Remo (Equipa Lacobrigense "Estrela")

Fotografias inéditas, click na imagem para aumentar.

Na breve história do Clube de Vela de Lagos, consta que foi fundado em 20 de Abril de 1950.Tem sido desde então o único clube de desportos naúticos da Cidade, nunca tendo interrompido a sua actividade.Tem preenchido as exigências locais e as solicitações para a utilização da Baía de Lagos, que é considerada a melhor pista de vela nacional e das melhores da Europa.
http://www.cvlagos.org/index.html
Mas atenção, as raízes deste clube podem ser encontradas no registo destas fotografias, e no apoio do Rei D. Carlos, uns anos mais atrás. Seria bom que o o Clube de Vela de Lagos tomasse a iniciativa para homenagear os pioneiros do desporto náutico em Lagos e no Algarve. Mas não o fez até agora, simplesmente por desconhecimento. Eu explico um pouco mais:

A modalidade desportiva de remo era praticada quase em exclusivo por uma pequena comunidade de ingleses ligados ao negócio do vinho do Porto, residentes no norte do país, em 1866 fundam o primeiro clube de remo em Portugal, o Oporto Boat Club, dois anos depois a modalidade começa a despertar algum interesse entre nós, aparece o Naval Portuense, e alguns anos mais tarde o Club Fluvial Portuense. Na região sul de Portugal a modalidade de remo aparece mais tarde, graças ao entusiasmo que o Rei D. Carlos tinha pelos desportos náuticos e tudo aquilo relacionado com mar. Com o apoio deste, nasceu o Clube Naval de Lisboa, que cresceu e abriu filiais pelo sul do país, Lagos foi uma das cidades escolhidas. Pioneira nos desportos náuticos, a vela foi, e é, nos dias de hoje uma modalidade desportiva, que atraí velejadores de todo o mundo, devido às condições excelentes para a prática da vela, e claro pela beleza natural e única de sua Baía. O remo existiu em Lagos, com o aparecimento do, Posto Náutico de Lagos, e o grupo "Estrela", mas foi uma modalidade que não criou raízes fortes entre nós.

Mas muito mais haverá a dizer. Espero que o José Carlos Vasques, passe por aqui e deixe um comentário, para esclarecer um pouco mais esta história. O José Carlos Vasques, conheceu muito bem esta malta, isso, tenho eu a certeza absoluta.
Estas fotrografias estiveram muito bem guardadas, a exclusividade deixará de existir certamente, mas será sempre uma raridade, que irá enriquecer e contribuir para o reforço da dimensão cultural da cidade de Lagos.




sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

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Poetas de outros tempos

José Manuel Lopes Gonçalves, (Lalecas), nasceu em Lagos, na rua Marchal furtado, em 8 de Abril de 1952, (1º Em baixo a contar da esquerda). Carregar na imagem para ampliar

As pessoas entram em nossa vida por acaso, mas não é por acaso que elas permanecem.
Conhecemos pessoas que vem e que ficam, outras que, vem e passam.
Existem aquelas que, vem, ficam e depois de algum tempo se vão.
Mas existem aquelas que vem e se vão com uma enorme vontade de ficar...

Fotografia bastante curiosa, veio ao meu encontro. Lalecas(Lelecas), melhor, José Manuel Lopes Gonçalves, o homem que tem estado à frente das finanças públicas lacobrigenses, já lá vão muitos anos.

Um dia em conversa com o amigo Lalecas, dizia-me ele, que tinha uma fotografia do tempo que jogava futebol no Esperança de Lagos, onde eu figurava entre os jogadores e as muitas pessoas alegres, (como era normal, naquela ėpoca longinqua), tinha eu os meus 10 aninhos,e estes eram os heróis da minha infância. O exercício de recordar estas pessoas e estes tempos, não é tarefa fácil. Mais difícil é compreender hoje, como, num país de injustiças estruturais, que choca mesmo as consciências mais apáticas e resignadas, alguém, como o meu amigo de longa data, o Lalecas conseguiu, durante sua longa carreira, não cair na tentação irresistível de fortunas que surgem da noite para o dia. Como é sabido, onde há dinheiro a administrar há sempre a oferta generosa de corruptos que no país abunda, e Lagos não fica isente.
Os anos vão passando por nós, mas nada fez mudar o carácter e comportamento sério e lutador do Lalecas, assim sempre o conheci, um grande homem um excelente professional, que sempre lutou por sua terra, tanto no desporto, como na vida profissional.
É preciso ter sólidos valores, ser pessoa séria, e acima de tudo, é bom ter em conta que, através do passado, consegue compreender-se melhor o presente. Uma lição de vida, um exemplo a ser seguido,para muitos que hoje, ocupam cargos importantes no nosso concelho , que viveram e sentiram, estes tempos
humildes.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

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O recuo do Infante D. Henrique

O Infante D. Henrique toda a vida foi chamado de “Navegador”, mas nem uma canoa ele sabia dirigir, Navegador porquê? Ora muito bem, esta é a opinião de quem escreve a história no outro lado, logo a história varia segundo o ponto-de-vista de quem a escreve, mas talvez a falta de crítica seja um dos maiores males de que padece a nossa literatura.

Lagos a capital da Nigéria è a maior cidade na África Ocidental, a qual foi chamada Lagos. Lagos é uma palavra Ibérica que significa lago. A província do Algarve (al-Gharb) em Portugal também tem uma cidade com o nome de Lagos. Como aparece então este nome numa cidade da Nigéria?

Na Lagos antiga dos Mouros, homens negros viviam como reis e príncipes. Lagos é uma antiga cidade marítima com mais de 2.000 anos de história…

A história deste povo tem a explicação para isto e muito mais. Aqui no link em baixo, talvez encontre também a explicação do recuo da estátua do Infante D. Enrique. Documento assinado por Jide Uwechia a pessoa responsável por esta investigação.

http://www.africaresource.com/rasta/sesostris-the-great-the-egyptian-hercules/the-moorish-cities-of-lagos-in-nigeria-and-portugal-jide-uwechia/

Aqui em baixo a tradução para português, do “Google translate”, mas muito pouco esclarecedor:
http://translate.google.com/translate?hl=fpt&sl=en&tl=pt&u=http%3A%2F%2Fwww.africaresource.com%2Frasta%2Fsesostris-the-great-the-egyptian-hercules%2Fthe-moorish-cities-of-lagos-in-nigeria-and-portugal-jide-uwechia%2F

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

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Fernão de Magalhães


De espantar que o primeiro passo na direção do comércio em escala mundial(um dos aspectos da globalização actual) tenha sido há mais de 600 anos.


O navio escola Sagres partiu ontem, do cais de Alcântara, para uma missão de onze meses à volta do mundo, algo que não fazia há 27 anos.

A Sagres deixou a barra do Tejo em direcção ao, Brasil, seu primeiro porto de passagem, onde deverá chegar a 9 de Fevereiro. No total, a viagem terá uma duração estimada de 339 dias, dos quais 71 por cento a navegar e 29 por cento nos portos. O navio passará por 27 cidades costeiras, de 19 países diferentes, antes de regressar a Lisboa, em 23 de Dezembro.

Nada melhor para lembrar nestes 5 filmes, a viagem do Fernão de Magalhães e dos irmãos Faleiro, cartógrafos portugueses.

Fernão Magalhães começou a insistir para o rei Manuel lhe dar tarefas mais emocionantes e bem pagas, como encontrar o caminho para as Molucas indo pelo Oeste, em vez de fazer o trajeto tradicional, na direção Leste: era mais rápido, dizia. O monarca não comprou essa idéia. Isso fez Magalhães renunciar à nacionalidade portuguesa e oferecer seus serviços a Carlos, rei da Espanha. Esse soberano, depois conhecido como imperador Carlos V, tinha sonhos de grandeza e decidiu patrocinar a viagem de Magalhães. Encontrar um caminho mais rápido para as Índias faria a Espanha passar à frente de Portugal e de todos os outros países na corrida das navegações. Segundo os cálculos de Magalhães e dos irmãos Faleiro, cartógrafos portugueses, as Molucas encontravam-se na metade do mundo que, pelo Tratado de Tordesilhas, cabia à coroa espanhola. Eles acreditavam que ao sul do Brasil havia uma passagem, do oceano Atlântico para os mares do Sul. Em setembro de 1519 a grande viagem começou, partindo com cinco navios e cerca de 270 tripulantes. A frota chegaria à América do Sul, explorando a região do rio da Prata no ano seguinte.

A viagem completa de Fernão de Magalhães, pode ver aqui:

http://canalhadelagos.blogspot.com/2009_07_01_archive.html

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

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As coisas não valem senão na interpretação delas


Obra do artista Lacobrigense, Zé Maria (ZEMA).


A experiência direta é o subterfúgio, ou o esconderijo, daqueles que são desprovidos de imaginação. Os homens de ação são os escravos dos homens de entendimento. As coisas não valem senão na interpretação delas. Uns, pois, criam coisas para que os outros, transmudando-as em significação, as tornem vidas. Narrar é criar, pois viver é apenas ser vivido.

Fernando Pessoa



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A Linha!

Projecto "Cascade" Ponta da Piedade -1.Fase - 38 hectares, uma milha de costa.
Carregar nas imagens para ampliar

A primeira ideia que nos surge ao pensar na linha é a de contorno, de limite, uma linha gerada pelo traçar do desenho — real ou imaginária, essa linha descreve formas e delimita-as, de alguma maneira, as individualiza. Geometricamente, a linha contínua ou não, mais do que uma sucessão de pontos, é a trajectória de um único ponto que se move, ou, para utilizar a linguagem típica dessa disciplina, é “o lugar geométrico das posições desse ponto”.

Contudo a leitura de uma imagem, no que esta encerra de observação, é ainda de facto diferente da escrita. Pelo contrário, as imagens convidam-nos, quase imediatamente, a entrarmos nelas. Absorvem-nos de forma voraz. Sobrepõem-se. Fazem desaparecer tudo o que não é imagem. A sua sobranceria e proliferação parece querer armadilha-nos os movimentos e os trajectos.

domingo, 17 de janeiro de 2010

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O Poeta





Como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem.

Essa frase do nosso dia a dia, que me habituei a ouvir. Qualquer pessoa é admirável quando não conhecemos bem, até conhece-la, acho que não é bem assim. Durante o tempo de escola, conheci um professor, que me habituou, com a imagem de alguém fechado, num mundo que parecia ser só e exclusivo dele, por direito próprio. Homem curioso, transportava no seu dia-a-dia, um mistério numa mala valiosa, (com alça à tira-colo em pele), presumo, cheia de ricos pensamentos, gasta pelo silêncio dos tempos, nunca consegui saber quem era.

Os defeitos que vemos em quem idealizamos por desconfianca, ou ignorância, não, são nada, quando percebemos que, nunca conseguimos conviver com eles, pelas circunstâncias dos tempos, a vontade e tudo aquilo que o tempo já levou. Culpa minha, culpa não se sabe muito bem de quem. Voltei a encontrá-lo por aí, na diva dos sonhos, na net! em lugares onde a poesia encanta, e os males espanta. Me fez pensar e procurar o valor daquilo, ou daqueles que um dia, estando perto, sempre parecerem estar tão longe.

Hoje a aproximação está ao nosso alcance, mesmo que distante, tudo que erradamente tinha idealizado se desfaz, justiça é feita na valorização de alguém, não só pelo que faz, mas por tudo aquilo que fez, e eu não sabia.
Hoje eu sei, anos passaram, revela-se a pessoa, que eu posso dizer:
Eu te conheço! Não, não te conheço! Ninguém te conheçe, não conhecemos ninguém, eu mesmo às vezes não me conheço, mas hoje, sei quem tu és.

José Vieira Calado, nasceu em Lagos, em 1938, mais de quarenta anos de vida dedicados à literatura, Vieira Calado é um dos melhores poetas do modernismo algarvio.

“Os Sinais da Terra”, o livro que viria a ser proibido pela censura, e que mudou a vida deste lacobrigense, e que me fez escrever este post.

” Estudou em Lagos, Portimão, Faro e Lisboa. Em 1961 Iniciou-se na Poesia, e publicou o seus primeiros poemas, com o livro “37 Poemas” e, no ano seguinte, “Os Sinais da Terra”, que viria a ser proibido pela censura. Esse episódio esteve na origem da sua partida primeiro para Londres e depois para Paris, onde frequentou a Universidade de Vincennes, onde obteve uma "Maîtrise" em Estudos Anglo-Portugueses. A seguir ao 25 de Abril, tendo completado o curso, voltou a Portugal, para o ensino oficial, exerceu a profissão de Professor de Inglês e Português e publicou o livro “Poema para Hoje”, encetando uma vasta colaboração em jornais, revistas, programas radiofónicos e palestras em Centros Culturais e Escolas, nos domínios da Poesia e da Astronomia.
Até hoje publicou catorze livros de poesia e um em prosa, Merdock, já em segunda edição. Em Faro ficou especialmente conhecido pelo seu livro sobre os episódios ocorridos nos anos 50, envolvendo o cão Merdock. Nas palavras do autor:
“Merdock era um cão singular e deu origem, em Faro, a uma extraordinária manifestação de solidariedade que culminou na sua libertação.”
Aqui encontra, José Vieira Calado: http://www.vieiracalado-poesia.blogspot.com/


PS: Isto é apenas uma abordagem difícil, a alguém, que se conhece ao longe na rua, talvez, não seja a pessoa certa para falar do Calado, afinal, eu sou um estranho um canalha, que não dá a cara, mas isso não impede, de deixar aqui meu ponto de vista. Mas atenção, nada disto tem a ver com públicidade ou poesia, mas sim com a pessoa, como muitas outras que são recordadas, apenas, pela força da tristeza da partida.

sábado, 16 de janeiro de 2010

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Sonhemos


Carnaval, a festa dos sonhos e fantasias, sonhos que vão com os foliões e fantasias enfeitando o desejo da alegria, para esconder as profundas tristezas. O carnaval afasta por momentos, o entristecer que a rotina do dia-a-dia nos coloca, infelizmente, é uma alegria momentânea e sem fundamentos para a vida. Tudo acaba, devolvendo a rotina da vida, a alegria afoga-se na chegada da realidade, o retorno do inferno "para alguns".
Não te embebedes na fantasia da rotina do dia-a-dia, sonha, sonha...

Ou será que a vida é um carnaval, que de vez em quando, faz com que algumas máscaras caem?

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

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A SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE LAGOS E A IGREJA DE SANTA MARIA

(IGREJA DA MISERICÓRDIA, actual Igreja de Santa Maria, em foto dos anos 60 do século passado)

INVENTÁRIOS
Alguns dias após ser noticiado que o Estado Português desconhece o inventário dos seus bens imóveis cruzámo-nos com um livrinho que aborda o tema das Misericórdias do Algarve, de 1968, em que, naturalmente, se inclui uma das 21 (seriam 22 se a de Cacela não tivesse sido extinta): a de Lagos, uma das 5 citadinas existentes à época da edição.
O Algarve tem sido terra onde os sismos se fazem sentir com relativa frequência. No séc. XVI houve alguns particularmente intensos e, no séc. XVIII, o tremor de terra de 1720 causou estragos de monta em Faro. Mas o terramoto de 1755 foi sem dúvida o que mais estragos provocou e consequentemente deu origem a mais modificações, tanto no interior como no exterior dos templos, reparados segundo o gosto e o estilo da época em que essas reparações foram feitas.
O terramoto ocasionou também a mudança temporária da sede das paróquias de Tavira, Alcantarilha, Aljezur e Monchique para os templos das Santas Casas, onde se mantiveram até poderem voltar para os seus edifícios devidamente consolidados. Só no caso da Misericórdia de Lagos se mantém, até hoje, instalada a Matriz e Colegiada de Santa Maria de Lagos, pois o templo desta nunca foi reconstruído, apesar das insistentes admoestações dos Bispos do Algarve, D. Frei Lourenço de Santa Maria (1760 e 1764) e D. Francisco Gomes de Avelar.
O Inventário do património artístico da Santa Santa Casa da Misericórdia de Lagos, bem como a sua história, não são fáceis de escrever, embora não faltem documentos que nos falem, tanto dos privilégios e benfeitorias, como das vicissitudes por que passou a irmandade.
Sucede porém que, entre as abundantes fontes informativas, não se encontram os dados necessários para saber a quem foram encomendados o pórtico datado de 1611, as janelas e grades de 1848 e as últimas obras no interior do templo, assinaladas no arco triunfal com data de 1891.Dos primeiros anos desapareceram as actas e todo e qualquer livro que pudesse esclarecer o assunto.
(na foto, o nicho datado de 1612 onde se encontrava a imagem da N. S. da Misericórdia)
Além do grave inconveniente resultante da falta destes documentos, há a acrescentar outro embaraço: a igreja da Santa Casa achar-se emprestada à Matriz e Colegiada de Santa Maria, desde o ano imediato ao do terramoto, e no inventário realizado no séc. XVII não se destrinçar o que havia no templo antes de 1755, nem o que para lá se transportou, salvo dos destroços da igreja de Santa Maria.
Emprestada até quando, senhores Bispo do Algarve Revº. D. Manuel Neto Quintas e Provedor Eduardo Andrade?

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Para falar ao vento bastam palavras...

Em 1907 uma imponente esquadra inglesa, composta por 53 grandes navios e com 7 almirantes, visitou Lagos. O Rei D. Carlos, na sua qualidade de almirante honorário da Marinha inglesa, fez questão de estar presente para cumprimentar o almirantado, a quem ofereceu um jantar.No meio deste cerimonial levantou-se uma questão complicada de resolver.Era preciso arranjar alguém no Algarve que soubesse falar inglês para fazer o discurso das boas vindas e servir de intérprete, tarefa extremamente difícil porque quase ninguém sabia falar inglês na região.Por fim lá se encontrou um velho mestre e oficial do exército, que ao saudar a marinha britânica, na Câmara de Lagos, com um longo e bem elaborado discurso, não obteve da parte dos ingleses qualquer reacção ou resposta. Consta que o velho oficial, com ar de lamentação, voltou-se para o Rei D.Carlos e disse : « Majestade! Não sei que incgleses são estes que não compreendem o inglês! ».

Foi um dia muito especial para os Lacobrigenses e para a cidade de Lagos, foi dia de festa, segundo relataram os jornais da época, o Rei ficou encantado com a beleza da Baía e o carinhoso acolhimento da população. (È que a terra em festa chamava a atenção de todos. Veja-se a primeira estampa a far-se-á ideia do aspecto da praia. Á falta de terra firme para um arco de triunfo, a população marítima empavezou todos os barcos de pesca, grandes e pequenos, e formou-os em duas alas à laia de arruamento. Fez-se assim uma alameda pitoresca, movediça, semelhando filas de árvores, de passeios atulhados de pescadores, mulheres, de crianças, lenços acenando, chapéus no ar, sorriso aberto à passagem dos seus hóspedes. Referiram jornais o que foi a recepção feita em Lagos aos reis de Portugal)

Outra história interessante, relacionada com a visita do Rei D.Carlos em 1907 a Lagos, foi a da bela jovem lacobrigense que morava na parte velha da cidade de Lagos, na rua da Coroa, confrontada com o rei, e este lhe pergunta o nome, responde: Benedita, Benedita! respondeu o Rei, num tom um pouco admirado, não, em tão bela dama, ficaria melhor o nome de "Benvinda". Seguindo o conselho do rei D.Carlos, os padrinhos desta jovem mulher, acharam conveniente mudar o nome. O nome foi mudado, nome esse, que os muitos dos netos e bisnetos se lembram, e a recordam nos dias de hoje, a avó Benvinda.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

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INCÊNDIOS, TERRAMOTOS, INVENTÁRIOS, NEGLIGÊNCIAS E... DIREITOS AO FUTURO SEM BRANQUEAMENTOS

Um grande incêndio que começou entre as 10 e as 10 e meia da manhã do dia 29 de Julho de 1888 começou no madeirame do telhado ou no forro da igreja da Santa Casa da Misericórdia (actual igreja de Santa Maria), tendo começado a sair muito fumo e chamas por uma janela que dava para o dito forro e para um telheiro que cobria um corredor que ligava as duas torres da igreja. Propagou-se com tal intensidade e violência que em breve tempo consumiu todo o madeirame do telhado e destruiu o ornato das capelas, ficando as paredes. Salvaram-se algumas imagens, livros e paramentos, mas não se conseguiu debelar o incêndio, dadas as proporções espantosas que este tomou desde o seu começo e a falta de aparelhos próprios...
Isto é, de cor e salteado, o que estava escrito numa acta da Mesa datada de uns dias depois deste grande fogo, por volta de 5 de Agosto, deve ser fácil consultar fisicamente, dado que os Provedores sempre tiveram por aí grande cuidado na manutenção dos registos...
Para outro post ou comentário (ou talvez não) ficam a Arquitectura e os Inventários:
- o das PINTURAS,
- dos LIVROS (mais de uma centena eram a parte antiga e foram para o Museu, os mais modernos estarão na secretaria do Hospital, outros na sacristia da igreja, onde ainda devem estar os referentes a inventários... e outros ainda transferidos do Museu para a Biblioteca Municipal mais recentemente), e
- o das PRATAS (as da Misericórdia e as da igreja matriz de Santa Maria de Lagos, contando-se nestas um preciosíssimo relicário em prata dourada com esquírolas, melhor dizendo, lascas dos próprios ossos do corpo do nosso São Gonçalo...)
Quanto à questão da posse legal da actual Igreja de Santa Maria recorro ao tão precioso José Carlos Vasques (foto) que simplesmente aconselha aos seus leitores a "que cada um tire as ilações que entender"... finalizando o seu seguinte texto que dispensa mais comentários e que passo a transcrever com a devida vénia ao seu notabilíssimo Autor:
«A Igreja Matriz de Santa Maria da Graça ficou totalmente destruída, ficando os seus paroquianos privados do culto. A igreja da Misericórdia rapidamente foi reparada, à custa da irmandade, enquanto a de Santa Maria da Graça apenas conheceu obras até menos de meias paredes, tendo-se usado o seu interior como cemitério. A colegiada de Santa Maria pediu à Misericórdia a sua igreja já arranjada, de que resultou o seguinte acordo: Acórdão de empréstimo da Igreja de Santa Maria da Misericórdia à Paróquia de Santa Maria, em 30/9/1756... enquanto a Paróquia de Santa Maria não tivesse igreja própria. Quanto às outras cláusulas do acordo celebrado, ainda antes da concordata com a Santa Sé, ninguém se lembra de terem sido cumpridas. Após a entrada em vigor da Concordata, e da ascensão do poder da Igreja, bem denunciado pela profunda cumplicidade entre o ditador Salazar e o Cardeal Cerejeira, a Igreja de Santa Maria da Misericórdia muda, por “malas-artes” o seu estado: de emprestada passa para a posse definitiva da Paróquia. Ao que parece, tal acto constituiu um caso singular no País e o auto da entrega (documento nº 19 de 17 de Junho de 1943 – segundo reprodução no Jornal Farol do Sul de Abril de 1991) será uma peça de carácter histórico/jurídico digna de ser estudada. Pelo que se percebe, foi intencionalmente esquecido o contrato de empréstimo celebrado em 1756, referido no documento nº 8 da Misericórdia. No auto da entrega, posterior, não há qualquer referência à Mesa da Misericórdia. Terá sido ignorada, terá permanecido abúlica, perante este acto surpreendente? No livro “Lagos – Notas da Sua História” o Dr. João Veloso (Provedor entre 1995-1997), no capítulo dedicado à Igreja de Santa Maria diz: “Após a sua reconstrução, e por a Igreja de Santa Maria da Graça ter sido praticamente destruída, na mesma ocasião passou, provisoriamente, a igreja matriz. Mas sendo sempre propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Lagos, como se menciona no documento de empréstimo existente no arquivo da Santa Casa da Misericórdia de Lagos, livro 218. Foi indevidamente arrolada em 1911 como sendo propriedade da Diocese do Algarve como se comprova por documento existente na Junta de Freguesia de Santa Maria e posteriormente, em 1943, entregue, não à Misericórdia sua proprietária, mas sim à Diocese do Algarve.. Esta citação está, assim, evidenciada por um ex-provedor. Nos anos seguintes a 1990, a Fábrica de Santa Maria, ou seu representante, moveu uma acção de despejo a um inquilino da Misericórdia que há vários anos tem de renda um cubículo, inserido no corpo do edifício sito na Rua Castelo dos Governadores, cuja renda já era recebida anteriormente pela Misericórdia, de outro arrendatário. Prova-se, deste modo, a existência dessa relação há mais de 100 anos. A sentença proferida pelo Tribunal foi favorável ao inquilino da Misericórdia, e o recurso para a Relação de Évora confirmou essa decisão da Justiça. Este ensaio judicial tinha por objectivo, segundo se dizia, tomar o piso superior, exactamente por cima da sacristia, onde outrora funcionou um asilo de idosos a cargo da Misericórdia, e onde hoje estão instalados os serviços administrativos do Hospital. Que cada um tire as ilações que entender.»

Porque é que a Santa Casa da Misericórdia de Lagos não tentou sequer exercer os seus direitos ao longo de tanto tempo?

Nota final:
Grande parte do arquivo histórico-documental da Câmara Municipal de Lagos foi ridiculamente queimado a mando dum membro da autarquia, por volta de 1982... Com esse importante espólio se perdeu, seguramente, também algumas páginas da história da Misericórdia de Lagos.