quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

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Obrigado! Cheguei ao fim ...

A razão pela qual algumas pessoas acham tão difícil serem felizes é porque estão sempre a julgar o passado melhor do que foi, o presente pior do que é, e o futuro melhor do que será.

Marcel Pagnol com sua razão, me fez pensar um pouco. Pois bem, é hora de ir, quero viver o presente, não vou aguardar para viver mais tarde, espero o mesmo para todos vós, que por aqui passaram, que sejam felizes. Nesta despedida, será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa do Canalha de Lagos, com ajuda da música Leonard Cohen "Dance Me To The End Of Love" vos brinde, esta será a maneira melancólica de ficarem tristes por algum tempo. Esta música vai ficar em vossa memória por algumas horas, assim como meu blog ira ficar por algum tempo mais, tenho essa convicção.
Minhas expectativas foram ultrapassadas, de tal forma que me vejo obrigado a parar, não consigo corresponder com qualidade, às exigências daqueles que me visitam. Fico triste, mas vou ficar por aqui. Espero de alguma forma ter contribuído, para que a blogosfera de Lagos, tenha encontrado algo em meu blog, que possa ser utilizado em prol de uma causa justa. Temos que ser parte da decisão, juntos vamos construir ideias e encontrar soluções, evitar a crítica tardia, visualizar ou imaginar coisas ou pessoas, numa forma positiva, antes que seja tarde demais.

Não resido em Portugal, estando longe, mais difícil se torna responder a certas questões ou ter uma opinião correta da situação que Lagos enfrenta no dia-a-dia, responsabilidade acrescida para os que ai estão, muitos são aqueles que aí vivem, que possuíam enormes capacidade para decidir ou resolver algo, por Lagos tudo vale a pena.

Agradecimentos individuais:

Queria agradecer, ao Jorge Ferreira, um nome precioso que vou guardar, apesar de não o conhecer pessoalmente, ficou-me a ideia de alguém com grandes qualidades, que vai dar que falar, pela positiva claro. Acredito em si, peço-lhe, em nome de todos aqueles que estão longe, e amam a cidade que os viu nascer, um maior empenhamento.
Agradecer à Valvesta, no outro lado do Atlântico, por essa enorme paixão e carinho que mostrou por nossa cidade.
Ao António Guimarães, por todo o apoio, força e incentivo que me foi incutido desde o princípio do meu blog.
E claro, agradecer ao meu velho amigo José Borba Martins, por me fazer recordar os bons velhos tempos.
Um especial obrigado ao Zé das Cabras, e a todos aqueles que por aqui passaram. Mas também um pedido de desculpa se magoei alguém com algo que escrevi, ou comentei .

A todos um muito obrigado

P.S.: Só para acrescentar, e talvez desvendar um pouco mais o Canalha, foi o post que mais gostei de fazer: os “REMADORES”, este post em forma de homenagem ao meu avô (na fotografia), que recordo com grandes saudades, e tanto ficou por escrever e lembrar, não só o meu avô, mas todos aqueles homens simples, mas tão importantes pelo seu trabalho, na história de nossa cidade. Nunca foram lembrados, estou consciente e tenho o poder de pensar que essa homenagem um dia chegará, talvez no futuro Museu do Mar, no Convento da Trindade! ou talvez num gesto simbólico em nome de rua. Não podemos ficar indiferentes à importância destes homens no passado, a homenagem que falta a esses grandes homens, que ficando em terra na vida, e na história , nunca foram lembrados. Refiro-me, em particular a esses homens que tinham como missão a construção dos barcos,mais precisamente a manutenção e reparo, homens essenciais nas caravelas, na era dos Descobrimentos “O CALAFATE”.

Adeus, vou sair pelo mundo!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

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Os Sicilianos em Lagos...


Pesca do Atum - 2° parte

As coisas apenas valem pela importância que lhes damos.
Essa importância esquecida , com o apagar da luz do desenvolvimento industrial e comercial, perdidos no tempo, esquecidos na história, escondido no pensamento de alguns. Os Sicilianos, a quem eu, em nome de minha cidade, presto homenagem, pelo ensinamento de novas técnicas na pesca do atum e pelo grande contributo no desenvolvimento económico da cidade de Lagos entre os Sec. XIV e XVI

Os Siciliano e os Índios da Meia-Praia tem muito em comum, o mar, o arraial, a armação e a almadrava (um sistema de redes de grandes dimensões para a pesca do atum).A cada almadrava no mar correspondia um arraial em terra.
O arraial era um conjunto de cabanas onde os pescadores residiam com as suas famílias durante a temporada da pesca. Na obra Corografia do Reino do Algarve, escrita por Frei João de S. José em 1577, descreve um arraial de pescadores:
«A pescaria deste peixe não só é proveitosa, [...] mas também de muito gosto e desenfado, porque [...] acode a ela grande soma de pescadores de todo Algarve, com suas mulheres, filhos e outra chusma e fazem suas cabanas por toda a costa onde estão as armações e continuadamente acode a eles toda a gente comarcã a lhe trazer todo o mantimento e refresco necessário e levar peixe, assi deste como d'outro que também ali morre. De maneira que cada armação parece ua feira. Cada armação não traz menos de 70, 80 homens de serviço, com suas barcas e caravelões pera recolher e levar o peixe onde se há-de dizimar e pagar os mais direitos, afora os mercadores do reino e d'outros muitos estrangeiros que tratam nele e o levam a suas terras.»

A pesca do atum no Algarve interessou particularmente aos armadores e pescadores catalães e italianos, sobretudo Sicilianos. Em 1367 armadores Sicilianos estabelecidos em Lagos levam a cabo experiências visando uma maior eficácia das almadravas, e em 1440 D. Duarte arrendou-as a uma sociedade de Sicilianos. Depois, em 1485, catalães e italianos exportavam milhares de arrobas de atum salgado para os seus países a partir do porto de Lagos.

No princípio do Séc. XVI, Lagos caracteriza-se pelo rápido crescimento demográfico, e o mais importante porto de pesca e centro de exportação de pescado da Europa, especilamente do atum para Itália. Portimão e Faro eram caracterizados pela exportação dos frutos secos. Mas também o sal, que torna esta zona, no maior produtor e exportador da Europa. Tão avultado era o comércio que se fazia no porto de Lagos, que incitou a cobiça dos Franceses, os quais infestaram os mares com corsários, que sequestravam as caravelas com carga, a tal ponto que foi pedido ao D. Joao III que interviesse na defesa da costa e do apoio ao tráfico marítimo.
Os Sicilianos se estabeleceram em Lagos, e por aqui ficaram mais de um século, foi-lhes concedidos regalias especiais, pela importância e ensinamentos de novas técnicas, de salgar o peixe, que abriu a possibilidade de exportar em grande escala. Em 1537 os nobres Sicilianos naturais de Messina, junto a alguns genoveses e milaneses, fundam em Lagos com a autorização e direitos concedidos pelo papa a Igreja Nossa Senhora do Porto Salvo, pelo facto da comunidade ser de alguma forma relevante, e com uma identidade bem definida. Elegem um capelão para celebrar missas, aos sábados e domingos de cada semana e para administração de sacramentos. Constituírem uma cofraria com sede na igreja de S. Bráz. Em 1546, finalizam os trabalhos de edificação da igreja. Alguns anos depois começam a surgir alguns desentendimentos e cobiça do local. Até que alguns monjes decidem construir um convento no mesmo lugar, projeto que virá a ser pedido a apreciação aos membros da comfradia de Felipe em 17 de agosto de 1598. O conflito se resolve dois anos depois, com um compromisso em 27 de julho de 1600 frente ao notário Afonso Alves Camacho e a presença do governador do Algarve. Os frades, em troca de poder levantar seu convento, se comprometem a celebrar e manter os mesmos princípios, como funerais e todos os exercícios espirituais que
se celebravam antes, na igreja de Nossa Senhora de Porto Salvo, em benefício exclusivo dos italianos.



Este trabalho de pesquisa, valorizou meu conhecimento da história de Lagos no campo económico e industrial, muito se poderá escrever sobre este assunto, a cidade estava no top do mundo na indústria e exportação do peixe, do sal e frutos secos, existiram mais de 10 fábricas de conserva de sardinha, nos anos cinquenta ainda metade funcionava em pleno. Não só os descobrimentos escreveu Lagos na história do mundo, por isso a necessidade de lembrar que a história de Lagos não se resume somente à epopeia dos descobrimentos, também na economia, como pioneira na indústria dos derivados do mar e dos negócios da exportação, um passado tão rico que não nos podemos dar ao luxo de esquecer, e ao mesmo tempo, lembrar os lacobrigenses e todos aqueles que de longe vieram para contribuir para o desenvolvimento desta cidade.
A pergunta que gostaria de fazer a alguém, seria, o porquê de tanta confusão e falta de informação no monumento, considerado património de interesse histórico, construído pelos Sicilianos? A Igreja Nossa Senhora do Porto Salvo, que no portal da Câmara Municipal de Lagos é conhecido simplesmente, por, Ruínas do antigo Convento da Trindade, e nenhuma referência à história das verdadeiras raízes do monumento. Já o Ministério da Cultura, vai mais longe, aqui o monumento, é conhecido por, Antigo Convento dos Frades Trinos, com uma pequena referência à confraria de Porto Salvo.
Seria conveniente uma maior atenção, aquelas pequenas coisas que deixaram de ter interesse por vontade do tempo, razão pela qual, hoje estão num profundo abandono, físico e literário.



P.S.: Este monumento é muito valioso, não só pela sua história, mas pela localização onde está implantado. Seu terreno arável é muito cobiçado, paredes meias com urbanização da Iberlagos, e com a casa que a Angelina Jolie quer comprar. Não podemos deixar que os privados, o dinheiro, seja mais forte que a vontade dos lacobrigenses, uma consulta pública exige-se.


Senhor Dr. Júlio Barroso, sei que é um adepto da Blogesfera, sei também que o senhor como lacobrigense e amigo, gostaria que aqui no Convento da Trindade fosse feito algo para a cidade e para os lacobrigenses, parar toda esta degradação e abandono do monumento, também sei que a pressão gananciosa de alguns sobre o senhor é constante. Juntos vamos conseguir acabar com este desprezo, e dar razão à nossa história. Um “Museu da Pesca do Atum”, lembrar os Sicilianos, e tudo relacionado, como a indústria do sal, a estiba,etc. No seu terreno com aquela vista espetacular virado para o mar, um jardim do silêncio, onde depois da visita ao museu, possamos sentar, reflexionar , contemplar, e pelo meio, uma merenda com os olhos no mar, ler um livro, sei lá. Esse silêncio aí encontrado, foi a razão pela qual os Frades Trinos construiram aí seu convento, contra a vontade dos sicilianos.
De certeza que o turismo italiano nos irá procurar com mais interesse, porque turismo, não pode ser só praia, é também cultura, esse turismo cultural, que vai faltando em Lagos.




Quanto vale esta mancha verde?



Referências:
70 IANTT, Livro Sexto de Misticos, fols. 164v.-166v. (Vease la transcripcion y traduccion en V. D’ARIENZO-B. DI
SALVIA: Siciliani nell’Algarve..., p. 170-175).
71 ASN, Camera della Sommaria-Partium, 123, fols. 36v-37 (Vease la transcripcion. V. D’ARIENZO-B. DI SALVIA:
Siciliani nell’Algarve..., pp. 185-186).

Para consultar este monumento no ministério da cultura:
http://radix.cultalg.pt/visualizar.html?id=13046
Para consultar este monumento na Câmara Municipal de Lagos:
http://www.cm-lagos.pt/portal_autarquico/lagos/v_pt-PT/menu_turista/concelho/cultura/museus/ruinas+historicas/

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

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Património Mundial da Humanidade


Como é de vosso conhecimento, Lagos vai geminar-se com o concelho da Ribeira Grande de Santiago, em Cabo Verde, neste concelho, encontra-se a Cidade Velha que devido à sua rica história, foi considerada património mundial da humanidade pela UNESCO. O objectivo é aprofundar o conhecimento sobre as tradições e costumes entre os dois municípios. O acordo já foi aprovado em reunião na Câmara Municipal de Lagos. Ler AQUI.
Esta aproximação cultural, não será exclusivamente (na minha opinião ), uma relação histórica com Lagos, mas um objectivo político do futuro de Cabo Verde, com a integração na União Europeia. Admirou-se! Sim, União Europeia.
Este arquipélago descoberto em 1460 por Diogo Gomes ao serviço da coroa portuguesa, que encontrou as ilhas desabitadas e aparentemente sem indícios de anterior presença humana, conjuga uma identidade africana (por razões meramente geográficas) e europeia – resultantes das raízes histórico-culturais.
Daí, a reivindicação política da integração de Cabo Verde na União Europeia, seja apoiado e patrocinado por muitos, como pelo Professor Adriano Moreira e o Dr. Mário Soares.
A pretensa aproximação cultural de Cabo Verde à Europa têm como substrato lógico a reivindicação de um argumento que se assenta, sobretudo, na construção de uma dinâmica de poder cujo centro político de referência se projecta por intermédio da cultura e o seu legado histórico: “a chave desta questão é a identidade cultural. É esse o critério de adesão. E nesse contexto, Cabo Verde também é Europa. Senão como justicar a entrada da Turquia na União Europeia?”.
Ora, aqui temos um caso, como o outro, diria. Sendo assim, eu me junto às personalidades públicas deste país, para que, se a Turquia um dia entrar na União Europeia, então que Cabo verde, venha a seguir.

PS: E, então, ainda sem querer, acabo de me meter, onde não sou chamado! Ou seja, deixei por momentos a minha covardia egoísta de querer fugir aos meus pensamentos políticos, escondendo-os. No fundo, com ou sem política, o que gosto mais neste post, é sem dúvida, o video inédito de Cesária Évora, no tempo em que ela, cantava sómente lá na rua dela (no bairro Lombo, nas imediações de aquartelamentos do exército português) . Até, que um dia, um Francês viu, ouvio, gostou e levou-a para França para gravar. A partir daí, já conquistou um prêmio Grammy de melhor álbum de world music contemporânea, e o presidente francês Jacques Chirac distinguiu-a com a medalha da Legião de Honra de França (Cabo Verde uma colónia francesa? Não,não me parece!). Os portugueses, esses, gostam muito, e mais nada.
Por que não ir mais longe? A identidade cultural desta senhora, e o legado histórico desta antiga colónia portuguesa, seu país, pode ser a chave no intercâmbio de informações e experiências, em matérias de interesse comum, como a cultura, entre os dois municípios, Lagos e Ribeira Grande de Santiago(primeira cidade construída pelos portugueses nos trópicos). Sendo assim, Dr Júlio Barroso, traga a Lagos "Rainha da morna" a Cesária Évora.

Apreciem bem todos os detalhes do video, e claro a música(especial atenção, aos instrumentos de corda) e a simplicidade de todo o trabalho artístico, que na minha opinião é o melhor de Cesária Évora.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

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Camaleão, consegue encontrá-lo em Lagos?


Será que Lagos e o Algarve está saudável em termos ecológicos?
Uma boa prova disso, é quando ainda por aí se encontra cameleões, mas lembre-se, os cameleões não são animais de cativeiro, e estão em vias de extinção.
O Camaleão é um réptil conhecido por mudar a sua côr para se adaptar a um ambiente ou a uma situação. Esta estratégia o ajuda a se proteger de potênciais predadores e passar desapercebido por eles.
Além desta característica, possui a capacidade de movimentar os dois olhos independentemente e também de enrolar a cauda para se agarrar.
De hábitos diurnos, costuma ao amanhecer colocar-se ao sol para caçar todo o tipo de insectos, como gafanhotos e outros artrópodes.
É um lagarto imponente, com uma bela crista que vai da nuca até à cauda e aparece também no papo. Os machos, normalmente, são mais coloridos e com ornamentações mais proeminentes na cabeça. No período reprodutivo, os machos descem dos arbustos para encontrar uma companheira. É uma espécie ovípara, e as posturas variam entre 30 e 40 ovos, que são depositados no solo.
A incubação é longa, dura de 8 a 9 meses. Ele atinge a maturidade sexual em um ano e pode viver de 4 a 5 anos.
Acredita-se que o Camaleão da Meia-Praia, derive de exemplares introduzidos pelo homem em épocas remotas, trazidos da floresta Amazônica, e que se adaptou muito bem por aqui, e por todo o Mediterrâneo .

Queria com este post, alertar para os perigos que camaleão corre e, se possível, ajudar alguém que se depare com a situação de lhe aparecer um camaleão pelo caminho, para que o ajude, não o incomode, não o leve para casa, na Privavera, muitos morrem ao atravessar a estrada, ajude-os, porque são extremamete lentos. Dado que os camaleões são animais que hibernam nesta altura do ano, é suposto o camaleão estar enterrado na areia a gozar "um longo sono" até à Primavera. Porém, muitos são aqueles que teimam em levar o cãozinho para sítios onde estes animais hibernam, culpa das autoridades, que perdeu a motivação, para preservar este único meio ambiente, com sinalização apropriada. Não é por falta de conhecimento.

Em 2005 a Câmara Municipal de Lagos, e o Instituto do Ambiente deram a mão a um projecto, que participaram 231 alunos das escolas do concelho de Lagos. Este projecto teve como tema as dunas da Meia-praia.” Estas dunas constituem um exemplo típico de um cordão dunar litoral, que forma uma barreira natural entre o estuário e a baía de Lagos. É habitat para muitas espécies de fauna e flora, algumas das quais endémicas. À semelhança da maior parte da linha da costa algarvia, as dunas da Meia-praia têm sido alteradas, e muitas das vezes destruídas, quer por factores naturais (por exemplo a erosão), mas sobretudo por factores humanos, como o urbanismo desordenado, o pisoteio, a introdução de exóticas, entre outros. Estes e outros assuntos foram trabalhados pelos alunos envolvidos, ao longo de 3 sessões (cada turma), divididas entre 1 aula teórica e duas saídas de campo ao local de estudo.
Algumas das acções dinamizadas no projecto foram integradas num estudo realizado pela associação A Rocha, e que visou a monitorização da nidificação da Chilreta e do Borrelho-de-coleira-interrompida e a aplicação de medidas de conservação para estas duas espécies.”
Fotrografias e o projecto aqui: http://www.spea.pt/MSA/fotos.html


PS:Existem algumas áreas em redor de Lagos que são consideradas ambientalmente sensíveis, num proximo post vou mostrar alguns estudos sobre o assunto,como por exemplo o Paúl de Lagos que é uma zona húmida que se encontra à entrada da cidade.
Neste momento continuam em curso estudos sobre os valores ambientais da área para transformá-la numa área dedicada à educação ambiental.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

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A aparição


Na Ponta da Piedade, as formas das falésias, esculpidas pelo mar e pelo tempo, constitui um cenário paradisíaco, de rochedos recortados em constante contraste com o azul esverdeado da água do mar, para além de toda esta beleza, a Ponta da Nossa Senhora da Piedade, é um local Sagrado, um Santuário por natureza, história, encantos e tudo aquilo que é possível imaginar. Aqui apareceu a imagem de Nossa Senhora da Piedade aos pescadores, segundo reza a lenda. O facto foi asinalado no cimo duma rocha, com um marco em pedra, que sinalizava, o lugar exacto da aparição da Nossa Senhora da Piedade, marco bastante significativo para os pescadores, que os guiava à fonte de protecção, e da força espiritual, que bem precisavam, sempre que a terra, começava a perder-se de vista, e o caminho era o além, mar. Marco esse, que já lá não está, caio no mar, e ninguém mais o repôs no sítio.Os que acreditavam nestas crenças eram os pescadores, que nos dias de hoje são poucos, e os milagres da Nossa Senhora muito menos. Até as gaivotas, que por natureza aí habitavam, trocaram esse rochedo pelos telhados de nossas casas, pura coicindência

Os tempos são outros, a crença sem ter provas, deixa de ser crença para se tornar numa história banal pouco relevante, e muito difícil de explicar a um Inglês. Mais fácil, será apontar para um sapato no meio do mar, o Inglês olha desconfiado sem perceber,ao fim de alguns segundos: Há Háááá! ”the shoe”, bate-lhe na cabeça, e entende que de facto aquela rocha, asemelha-se com um sapato, a partir daí pode imaginar tudo aquilo que bem entender, mesmo que, nada tenha a ver, com o nome registado das rochas, que homem do lemo aprendeu com o tempo, como: a boneca, a vinha cavada, a balança, o arco do triunfo,o buraco da avô, etc. Enfim um nunca acabar de aparições, que irá entreter o turista, na sua viagem a este extraordinário
lugar, as grutas da Ponta da Piedade.


Esta lenda, tornou este local para muitos, num sítio Sagrado, um lugar de tradicional romaria, tanto por terra como por mar, tudo isso, deu origem à ermida da Nossa Senhora da Piedade para veneração e culto à imagem da santa. A devoção à santa vem de longa data, a procissão por mar em honra da Nossa Senhora da Piedade, era uma festa feita pelos pescadores à sua padroeira, muitas traineiras e outras pequenas embarcações se juntavam. Esta festa era uma procissão feita com a imagem de Nossa Senhora num barco, e acompanhada por tantos outros barcos enfeitados de propósito para esta festa em honra da Santa. A procissão do mar, partia do cais da Solaria, e dirigia-se ao local de culto, a Ponta da Nossa Senhora da Piedade. Hoje, o pescador já não vive esta mística original, ainda se faz a procissão, mas com alguma tímidez, não tão expresssiva. O sentido, não sei, se continua a ser de confiança na protecção da Mãe de Deus, face às tempestades da vida.


A ermida da Nossa Senhora da Piedade, segundo relatos históricos, foi mandada deitar abaixo. Cedida ao Ministério da Marinha em 12 de Janeiro de 1912, a fim de ali ser construído o farol. Apesar da ermida ser muito antiga, e estar muito arruinada, a Igreja não cedeu facilmente às exigências do estado político, o processo demorou alguns anos até ser resolvido. Esta ocorrência ficou registada em documentos, mais precisamente, na acta da sessão da Junta da Paróquia da freguesia de Santa Maria de Lagos de 19 de Junho de 1910:
«... Era com bastante mágoa que consentia que se fosse demolir uma ermida edificada há tantos séculos, aonde o povo concorre, principalmente os marítimos, em romaria por devoção a Nossa Senhora da Piedade; mas como esta junta não pode ir de encontro às determinações e ordens superiores, por isso se sujeita à demolição da referida ermida, para n’esse local se construir o pharol em questão...»
PS: Este post, tem como finalidade a busca de compreender melhor este lugar, para que de futuro o que aqui, se venha a projectar, deva passar antes por consulta pública. E claro, chamar a atenção das autoridades competentes, para que o marco que existiu no topo da rocha, seja reposto no seu devido lugar, é um marco com grande significado histórico, especialmente para os homens ligados ao mar, e claro para nossa história cultural.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

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Os índios da Meia Praia, somos todos nós!



Espero que gostem, desta animação 3D para o tema "redondo vocábulo" de José Afonso.Interpretação livre sobre a angústia de uma gestação ou maternidade em tempos de guerra no ultramar.

Cometemos o erro da solidariedade apressada, para com os “índios”, assim baptizados não se sabe muito bem por quem! criados pela imaginação miserável dos tempos, estes índios que nunca foram índios, mas sim, pessoas como muitas outras, que hoje vindas de mais longe, por aí vagueiam, sem rumo, sem tecto pelas ruas da amargura, de nossa cidade.
Toda essa solidariedade, não nos deu, mais do que um grande homem, um professor, conhecedor da realidade social de Lagos, e acima de tudo, um grande artista, que a "Luar" apadrinou. Mas não venhamos para aqui falar de politicologia, não é a idea deste blog, que fique bem claro, preferências à parte, este senhor merece simplesmente, um comentário à sua grandeza artística, e por ter imortalizado a Meia Praia, com a canção: "Indios da Meia Praia", o Grande Zeca Afonso.

Quanto à Meia Praia em si, o que me surpreeende é que passados mais de 30 anos, continua-se a cometer os mesmos erros, que no passado, só que em proporções asustadoras, o que pôe em perigo toda esta paisagem natural.
A Meia Praia vai ter sete hotéis, vários hotéis de quatro e cinco estrelas vão povoar toda esta zona. Trinta milhões de euros é quanto custou o Hotel Vila Galé de quatro estrelas, o primeiro de sete hotéis a ficar concluído na Meia-Praia. A unidade hoteleira só conseguiu avançar após a aprovação, em Julho de 2007, do Plano de Urbanização (PU) da Meia Praia, uma medida que veio permitir a construção de hotéis de quatro e cinco estrelas naquele areal. Segundo o presidente da Câmara de Lagos, Júlio Barroso, a decisão representou a conclusão de um "longo processo e o início de uma nova e boa fase" para Lagos, por representar um "ordenamento com objectivos estratégicos definidos para a zona da Meia Praia". A seguir ao Vila Gale, vai-se construir: O Iberotel, de cinco estrelas, do grupo com o mesmo nome: a reconstrução do hotel da Meia Praia, de 4 estrelas, pelo grupo Palmares; o Palmares Onyria, de 5 estrelas, considerado Projecto de Interesse Nacional; o New Paradigm, de 5 estrelas, de um grupo britânico com o mesmo nome; e o Resort Baía Meia-Praia (PIN de 5 estrelas), que terá três hotéis e um aldeamento turístico, do grupo SDTL.

E agora! os Índios, e as Dunas? O Vila Galé Lagos está implantado em forma de U, com o objectivo de optimizar a vista para o Oceano Atlântico, que de momento, tem vista para as casas dos Índios, e estes, não querem sair de lá. O presidente da Cámara de Lagos disse à Lusa: que o bairro está muito degradado e que aquela população, compreende que não é compatível aquele bairro, com hotéis de cinco estrelas.


Esperemos, que toda esta disputa, não deixe para segundo plano a Natureza em si, as dunas da Meia Praia, por sua importância e singularidade, devem ter uma maior atenção por nossa parte, no que se refere ao impacto ambiental. Já deveria ter sido equacionado há muito mais tempo, toda esta revolução urbanística, antes de qualquer decisão ter sido tomada, esta obra é objecto de controvérsia em razão do suposto impacto ambiental que poderá causar graves danos ao património natural. Onde estão os estudos do impacto ambiental, onde se pode consultar? Este património natural e único, devia ser um marco na preservação do património natural nesta região, e resguardado para todos nós.


As Dunas da Meia Praia forma-se pela sedimentação marinha e o vento, são formações de areia únicas na costa portuguesa, com um ecossistema ímpar, numa paisagem singular. A areia e o vento fazem seu trabalho diário, esculpindo uma nova paisagem, a cada dia que passa. Somos privilegiados, este momento da natureza é só nosso. Amanhã outros serão brindados com um novo espetáculo. Mas para isso, é necessário, que haja um amanhã. Para tal, é de exigir um maior cuidado num estudo mais aprofundado ao impacto, a esta ameaça ao natural futuro das Dunas da Meia Praia.

“A Terra levou alguns bilhões de anos para construir as rochas, os minerais, as montanhas e os oceanos. Proteja esta obra-prima!“

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

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Jaiminho Despachadinho


Video: O general sem medo, Humberto Delgado

Num daqueles dias chuvosos, alguém abrigado da chuva, debaixo dum toldo de uma loja, apercebe-se do Jaiminho Despachadinho, no seu habitual passo lento e relaxado (a caminho da loja), e grita:- Corra homem, senhão chega à loja todo molhado! O Jaiminho olha e com aquele sorriso de quem sabe as respostas para tudo, responde: Correr! para quê, se posso chegar molhado, mas nunca cansado.
Nas coisas pequenas, mais que nas grandes, muitas vezes reconhecemos o valor dos homens, e
são estas pequenas coisas simples da vida, que tornou este homem numa pessoa tão especial e extraordinária, para todos aqueles, que tiveram o previlégio de o conhecer. Por essa razão, hoje, o recordo aqui, com saudades.
Deixo também o testemunho sobre este homem (e outros), de alguém, que conheceu e admirou este homem de perto, o José Borba Martins.

« OUTRAS MEMÓRIAS E O GIGANTESCO DR. TELLO

E que dizer do insupeitadamente cultíssimo e poliglota Mestre Despachadinho, em cuja loja funcionou a sede local da campanha do General Humberto Delgado?…Genial aquela sua resposta a um tipo do Norte que queria comprar chumbadas e lhe perguntou se tinha “tomates de chumbo” (com ‘c’) ao que o Mestre, com aquele seu andar característico e nada apressado lhe respondeu, mirando-o de soslaio por cima do ombro e levando a mão à anca: “Não, não, isto é só uma dôrzinha aqui nas costas”…

Muito viva é também a memória do Coronel Rocha de Abreu, que integrou a S. P. Teosofia, outro superior espírito que empreendeu entre nós a notável “Casa de S. Gonçalo”, assim como é essencial relembrar – hoje mais que nunca – essas tranquilas lições cívicas de vida do enorme Dr. António Guerreiro Tello, com consultório um pouco mais abaixo, inestimável para tantos lacobrigenses. Conta quem assistiu, que proferiu um discurso inolvidável na Praça da Música, nos anos 50, em que explicou à Cidade porque decidiu não aceitar o convite que o regime do Estado Novo lhe fazia para ir para Lisboa como deputado. No final, tardaram os aplausos unânimes porque todos os que o ouviram, ou seja a totalidade da praça (a cidade de então em peso…), ficaram literalmente em lágrimas, com alguns em pranto convulsivo…

Aqui fica uma única sugestão para quem a possa concretizar: já tarda homenagear, mais do que em nome de rua, com uma estátua ainda maior que a do tamanho real desse gigante de humanidade e altruísmo que escolheu viver na nossa Grande Cidade. O nosso Tolentino de Lagos certamente aceitará materializar esse imperativo de tão vivo traço da consciência colectiva com desconto especial.

Por mim, antevejo que a estátua seja colocada em pé e sem pedestal nessa mesma praça de tão indescritível discurso. Em pé em homenagem à sua verticalidade e ao lado dos seus iguais, como tão sabiamente soube estar e ser sempre tão essencialmente útil.»

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

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Guerra Colonial





O povo está com o M.F.A. mas porra, isto não è uma colónia das Forças Armadas.

A vista parcial da Baia, do parque de Campismo Militar, em Lagos.

Como ex-militar não poderia deixar de responder e saudar todos aqueles que são e foram militares. Fui militar na FAP, especialidade integrada nas forças da NATO. Orgulho-me muito não só da especialidade, como nas funçoes que desempenhei. Tenho uma enorme satisfação em ter dado o meu contributo, em prol da Pátria.

A questão è a seguinte: a maioria de nós prestou o serviço militar obrigatório, porque raio, só uma pequena minoria, reserva-se ao previlégio, que è de todos, de passar férias no Algarve e comtemplar esta paisagem ùnica e exclusiva, por uma misera quantia, que varia de 5 a 30 euros por fim fim-de-semana? por exemplo na Messe, duas noites, 11,25€, com pequeno almoço. Consultar preços aqui: Preços de Fim de Semana
Dever cumprido, a guerra acabou, fora daqui, marchar, marchar. Ou será que temos que entrar em estado de sítio, para deixarem as colónias? claro um acordo è possível, mas tem que ser rápido, a cidade de Lagos não se pode dar ao luxo de esperar muitos mais anos, com esta ocupação prevíligiada de alguns.
Lagos precisa deste espaço, para lazer dos lacobrigentes e daqueles que nos visitam, è um espaço nobre e ùnico, como poucos há.

Agora a noticia: sabiam que a Câmara Municipal de Lagos, quer construir um hotel no Parque de Campismo Militar?ou será na messe? chocado e confusso fiquei, ao ler este blog (Não Deixem a M.M.L. Morrer!) , que penso ser, de algum General no activo, das Forças Armadas.
Escreve este General no seu blog, e dou-lhe toda a razão, quando diz:
"a M.M.L. devia pertencer às Forças Armadas, pois sabe gerir o espaço e cuidar bem dele ( não sei se é verdade, mas ouvi dizer que a Câmara Municipal de Lagos quer fazer um hotel no parque de campismo da M.M.L. ). Por isso, venho publicar este blogue para mostrar como a M.M.L. é um espaço que é maravilhoso e que é preciso ( a meu ver ) salvá-lo do destino que a reserva, destino esse que pode ser uma página negra na história de Lagos."( aliás, dois hotéis pertencentes M.M.L. [ mas noutras zonas da cidade ] já foram cedidos à Câmara Municipal de Lagos, e antes de isso acontecer, eram espaços a frequentar por excelência)."
O povo ė quem mais ordena, toca a marchar, marchar e marchar, para nossa cidade encantar...
( sem querer fiz um verso)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

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A escravatura


Por vezes interrogo-me, se será hipocrisia, mexer nas feridas do passado, naquilo, que ninguém quer falar, que atormenta os pensamentos. Um tabu, que me faz pensar, há já algum tempo a esta parte, e que voltou com alguma intensidade, quando a terra foi mexida, e apareceram mais vestigios do tráfico humano, nas escavações na Praça D`armas, onde numa antiga lixeira, datada dos séculos XV a XVII, foram encontrados 140 esqueletos de escravos africanos, abrindo todo um novo campo de conhecimento, sobre os Descobrimentos Portugueses. Todos estes acontecimentos, fez aumentar, este sentimento de alguma forma de culpa e responsabilidade de nós todos portugueses, perante a escravatura.

Nada melhor, do que nesta data, para falar no assunto. Na evocação dos 550 Anos da Morte do Infante Dom Henrique (que se assinalam este ano) e, simultaneamente, da descoberta de Cabo Verde, o que faz com que um acordo de geminação, irá ser presente à Assembleia Municipal, para aprovação, entre Lagos, e a Ribeira Grande de Santiago que foi a primeira cidade construída pelos portugueses em África. Seria oportuno também, recordar, estes 6500 milhoes de seres humanos, e levar à Assembleia Municipal, para aprovação, um estudo para um projecto, para a implantação de um monumento, dedicado a todos estes seres humanos, que foram vítimas da escravatura.

Sim, um monumento, bem melhor que o exemplo americano, onde o presidente norte-americano Barack Obama classificou de "histórica" a resolução adoptada pelo Senado, que apresentou formalmente desculpas, em nome do povo americano, pela "escravidão e a segregação racial" para com os negros americanos. A resolução, deixa, todavia, claro que não pode servir de base "a uma queixa contra os Estados Unidos. Neste caso parece-me hipócrita, porque esta resolução, não serve absolutamente para nada. Porque de resto, continua praticamente tudo na mesma.

O que proponho, é um monumento, desculpas à parte, o Papa já pediu desculpas em nome dos católicos. Quem devia pedir desculpa em nome de Portugal, era o Infante D.Henrique, que em 1444 enviou uma caravela à foz dos rios Senegal e Gâmbia e regressou a Lagos com 235 escravos a bordo. Foi o início de Portugal, no comércio da escravatura. Portugal, entre os séculos XVI e XIX, foi responsável por uma das maiores, se não a maior, transferência forçada de seres humanos da História da Humanidade entre África e o Brasil.6.500.000 (seis milhões e quinhentos mil seres humanos traficados):4.000.000 de sobreviventes + 1.500.000 mortos na marcha até ao litoral para embarque+ 500.000 mortos nas fortalezas onde esperavam embarque+ 500.000 mortos no Atlântico[Números aproximados]

Os portugueses orgulham-se em apregoar que Portugal foi o primeiro país do mundo a abolir a escravatura em 1761, a verdade é bem outra. Orgulho esse, que deve sempre existir, no aspecto científico dos descobrimentos, o espírito aventureiro, corajoso e destemido do povo português, fez com que as viagens fossem cada vez mais longe, avançando em mares nunca dantes navegados, como cantou Camões. O conhecimento de novas terras e mares, de novas gentes e culturas e a valorização da experiência, foram a grande dádiva dos Portugueses à Humanidade.
A cidade Lagos foi pioneira nos Descobrimentos, pelo longo caminho das descobertas, foram cometidos muitos erros, reconhecer esses erros não é humildade, talvez seja ambição, um orgulho enorme para Lagos, e para os lacobrigenses, a coragem para enfrentar este tabu, que atormenta os portugueses, e que Portugal, a todo o custo, tenta distanciar-se, como se nada tivesse a ver com o assunto.