domingo, 7 de Fevereiro de 2010

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Os índios da Meia Praia, somos todos nós!



Espero que gostem, desta animação 3D para o tema "redondo vocábulo" de José Afonso.Interpretação livre sobre a angústia de uma gestação ou maternidade em tempos de guerra no ultramar.

Cometemos o erro da solidariedade apressada, para com os “índios”, assim baptizados não se sabe muito bem por quem! criados pela imaginação miserável dos tempos, estes índios que nunca foram índios, mas sim, pessoas como muitas outras, que hoje vindas de mais longe, por aí vagueiam, sem rumo, sem tecto pelas ruas da amargura, de nossa cidade.
Toda essa solidariedade, não nos deu, mais do que um grande homem, um professor, conhecedor da realidade social de Lagos, e acima de tudo, um grande artista, que a "Luar" apadrinou. Mas não venhamos para aqui falar de politicologia, não é a idea deste blog, que fique bem claro, preferências à parte, este senhor merece simplesmente, um comentário à sua grandeza artística, e por ter imortalizado a Meia Praia, com a canção: "Indios da Meia Praia", o Grande Zeca Afonso.

Quanto à Meia Praia em si, o que me surpreeende é que passados mais de 30 anos, continua-se a cometer os mesmos erros, que no passado, só que em proporções asustadoras, o que pôe em perigo toda esta paisagem natural.
A Meia Praia vai ter sete hotéis, vários hotéis de quatro e cinco estrelas vão povoar toda esta zona. Trinta milhões de euros é quanto custou o Hotel Vila Galé de quatro estrelas, o primeiro de sete hotéis a ficar concluído na Meia-Praia. A unidade hoteleira só conseguiu avançar após a aprovação, em Julho de 2007, do Plano de Urbanização (PU) da Meia Praia, uma medida que veio permitir a construção de hotéis de quatro e cinco estrelas naquele areal. Segundo o presidente da Câmara de Lagos, Júlio Barroso, a decisão representou a conclusão de um "longo processo e o início de uma nova e boa fase" para Lagos, por representar um "ordenamento com objectivos estratégicos definidos para a zona da Meia Praia". A seguir ao Vila Gale, vai-se construir: O Iberotel, de cinco estrelas, do grupo com o mesmo nome: a reconstrução do hotel da Meia Praia, de 4 estrelas, pelo grupo Palmares; o Palmares Onyria, de 5 estrelas, considerado Projecto de Interesse Nacional; o New Paradigm, de 5 estrelas, de um grupo britânico com o mesmo nome; e o Resort Baía Meia-Praia (PIN de 5 estrelas), que terá três hotéis e um aldeamento turístico, do grupo SDTL.

E agora! os Índios, e as Dunas? O Vila Galé Lagos está implantado em forma de U, com o objectivo de optimizar a vista para o Oceano Atlântico, que de momento, tem vista para as casas dos Índios, e estes, não querem sair de lá. O presidente da Cámara de Lagos disse à Lusa: que o bairro está muito degradado e que aquela população, compreende que não é compatível aquele bairro, com hotéis de cinco estrelas.


Esperemos, que toda esta disputa, não deixe para segundo plano a Natureza em si, as dunas da Meia Praia, por sua importância e singularidade, devem ter uma maior atenção por nossa parte, no que se refere ao impacto ambiental. Já deveria ter sido equacionado há muito mais tempo, toda esta revolução urbanística, antes de qualquer decisão ter sido tomada, esta obra é objecto de controvérsia em razão do suposto impacto ambiental que poderá causar graves danos ao património natural. Onde estão os estudos do impacto ambiental, onde se pode consultar? Este património natural e único, devia ser um marco na preservação do património natural nesta região, e resguardado para todos nós.


As Dunas da Meia Praia forma-se pela sedimentação marinha e o vento, são formações de areia únicas na costa portuguesa, com um ecossistema ímpar, numa paisagem singular. A areia e o vento fazem seu trabalho diário, esculpindo uma nova paisagem, a cada dia que passa. Somos privilegiados, este momento da natureza é só nosso. Amanhã outros serão brindados com um novo espetáculo. Mas para isso, é necessário, que haja um amanhã. Para tal, é de exigir um maior cuidado num estudo mais aprofundado ao impacto, a esta ameaça ao natural futuro das Dunas da Meia Praia.

“A Terra levou alguns bilhões de anos para construir as rochas, os minerais, as montanhas e os oceanos. Proteja esta obra-prima!“

sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

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Jaiminho Despachadinho




Video: O general sem medo, Humberto Delgado
Num daqueles dias chuvosos, alguém abrigado da chuva, debaixo dum toldo de uma loja, apercebe-se do Jaiminho Despachadinho, no seu habitual passo lento e relaxado (a caminho da loja), e grita:- Corra homem, senhão chega à loja todo molhado! O Jaiminho olha e com aquele sorriso de quem sabe as respostas para tudo, responde: Correr! para quê, se posso chegar molhado, mas nunca cansado.
Nas coisas pequenas, mais que nas grandes, muitas vezes reconhecemos o valor dos homens, e
são estas pequenas coisas simples da vida, que tornou este homem numa pessoa tão especial e extraordinária, para todos aqueles, que tiveram o previlégio de o conhecer. Por essa razão, hoje, o recordo aqui, com saudades.
Deixo também o testemunho sobre este homem (e outros), de alguém, que conheceu e admirou este homem de perto, o José Borba Martins.

« OUTRAS MEMÓRIAS E O GIGANTESCO DR. TELLO

E que dizer do insupeitadamente cultíssimo e poliglota Mestre Despachadinho, em cuja loja funcionou a sede local da campanha do General Humberto Delgado?…Genial aquela sua resposta a um tipo do Norte que queria comprar chumbadas e lhe perguntou se tinha “tomates de chumbo” (com ‘c’) ao que o Mestre, com aquele seu andar característico e nada apressado lhe respondeu, mirando-o de soslaio por cima do ombro e levando a mão à anca: “Não, não, isto é só uma dôrzinha aqui nas costas”…

Muito viva é também a memória do Coronel Rocha de Abreu, que integrou a S. P. Teosofia, outro superior espírito que empreendeu entre nós a notável “Casa de S. Gonçalo”, assim como é essencial relembrar – hoje mais que nunca – essas tranquilas lições cívicas de vida do enorme Dr. António Guerreiro Tello, com consultório um pouco mais abaixo, inestimável para tantos lacobrigenses. Conta quem assistiu, que proferiu um discurso inolvidável na Praça da Música, nos anos 50, em que explicou à Cidade porque decidiu não aceitar o convite que o regime do Estado Novo lhe fazia para ir para Lisboa como deputado. No final, tardaram os aplausos unânimes porque todos os que o ouviram, ou seja a totalidade da praça (a cidade de então em peso…), ficaram literalmente em lágrimas, com alguns em pranto convulsivo…

Aqui fica uma única sugestão para quem a possa concretizar: já tarda homenagear, mais do que em nome de rua, com uma estátua ainda maior que a do tamanho real desse gigante de humanidade e altruísmo que escolheu viver na nossa Grande Cidade. O nosso Tolentino de Lagos certamente aceitará materializar esse imperativo de tão vivo traço da consciência colectiva com desconto especial.

Por mim, antevejo que a estátua seja colocada em pé e sem pedestal nessa mesma praça de tão indescritível discurso. Em pé em homenagem à sua verticalidade e ao lado dos seus iguais, como tão sabiamente soube estar e ser sempre tão essencialmente útil.»

quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

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Guerra Colonial





O povo está com o M.F.A. mas porra, isto não è uma colónia das Forças Armadas.


A vista parcial da Baia, do parque de Campismo Militar, em Lagos.


Como ex-militar não poderia deixar de responder e saudar todos aqueles que são e foram militares. Fui militar na FAP, especialidade integrada nas forças da NATO. Orgulho-me muito não só da especialidade, como nas funçoes que desempenhei. Tenho uma enorme satisfação em ter dado o meu contributo, em prol da Pátria.


A questão è a seguinte: a maioria de nós prestou o serviço militar obrigatório, porque raio, só uma pequena minoria, reserva-se ao previlégio, que è de todos, de passar férias no Algarve e comtemplar esta paisagem ùnica e exclusiva, por uma misera quantia, que varia de 5 a 30 euros por fim fim-de-semana? por exemplo na Messe, duas noites, 11,25€, com pequeno almoço. Consultar preços aqui: Preços de Fim de Semana
Dever cumprido, a guerra acabou, fora daqui, marchar, marchar. Ou será que temos que entrar em estado de sítio, para deixarem as colónias? claro um acordo è possível, mas tem que ser rápido, a cidade de Lagos não se pode dar ao luxo de esperar muitos mais anos, com esta ocupação prevíligiada de alguns.
Lagos precisa deste espaço, para lazer dos lacobrigentes e daqueles que nos visitam, è um espaço nobre e ùnico, como poucos há.


Agora a noticia: sabiam que a Câmara Municipal de Lagos, quer construir um hotel no Parque de Campismo Militar?ou será na messe? chocado e confusso fiquei, ao ler este blog (Não Deixem a M.M.L. Morrer!) , que penso ser, de algum General no activo, das Forças Armadas.

Escreve este General no seu blog, e dou-lhe toda a razão, quando diz:
"a M.M.L. devia pertencer às Forças Armadas, pois sabe gerir o espaço e cuidar bem dele ( não sei se é verdade, mas ouvi dizer que a Câmara Municipal de Lagos quer fazer um hotel no parque de campismo da M.M.L. ). Por isso, venho publicar este blogue para mostrar como a M.M.L. é um espaço que é maravilhoso e que é preciso ( a meu ver ) salvá-lo do destino que a reserva, destino esse que pode ser uma página negra na história de Lagos."( aliás, dois hotéis pertencentes M.M.L. [ mas noutras zonas da cidade ] já foram cedidos à Câmara Municipal de Lagos, e antes de isso acontecer, eram espaços a frequentar por excelência)."

O povo ė quem mais ordena, toca a marchar, marchar e marchar, para nossa cidade encantar...

( sem querer fiz um verso)

terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010

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A SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE LAGOS E A IGREJA DE SANTA MARIA

(IGREJA DA MISERICÓRDIA, actual Igreja de Santa Maria, em foto dos anos 60 do século passado)

INVENTÁRIOS
Alguns dias após ser noticiado que o Estado Português desconhece o inventário dos seus bens imóveis cruzámo-nos com um livrinho que aborda o tema das Misericórdias do Algarve, de 1968, em que, naturalmente, se inclui uma das 21 (seriam 22 se a de Cacela não tivesse sido extinta): a de Lagos, uma das 5 citadinas existentes à época da edição.
O Algarve tem sido terra onde os sismos se fazem sentir com relativa frequência. No séc. XVI houve alguns particularmente intensos e, no séc. XVIII, o tremor de terra de 1720 causou estragos de monta em Faro. Mas o terramoto de 1755 foi sem dúvida o que mais estragos provocou e consequentemente deu origem a mais modificações, tanto no interior como no exterior dos templos, reparados segundo o gosto e o estilo da época em que essas reparações foram feitas.
O terramoto ocasionou também a mudança temporária da sede das paróquias de Tavira, Alcantarilha, Aljezur e Monchique para os templos das Santas Casas, onde se mantiveram até poderem voltar para os seus edifícios devidamente consolidados. Só no caso da Misericórdia de Lagos se mantém, até hoje, instalada a Matriz e Colegiada de Santa Maria de Lagos, pois o templo desta nunca foi reconstruído, apesar das insistentes admoestações dos Bispos do Algarve, D. Frei Lourenço de Santa Maria (1760 e 1764) e D. Francisco Gomes de Avelar.
O Inventário do património artístico da Santa Santa Casa da Misericórdia de Lagos, bem como a sua história, não são fáceis de escrever, embora não faltem documentos que nos falem, tanto dos privilégios e benfeitorias, como das vicissitudes por que passou a irmandade.
Sucede porém que, entre as abundantes fontes informativas, não se encontram os dados necessários para saber a quem foram encomendados o pórtico datado de 1611, as janelas e grades de 1848 e as últimas obras no interior do templo, assinaladas no arco triunfal com data de 1891.Dos primeiros anos desapareceram as actas e todo e qualquer livro que pudesse esclarecer o assunto.
(na foto, o nicho datado de 1612 onde se encontrava a imagem da N. S. da Misericórdia)
Além do grave inconveniente resultante da falta destes documentos, há a acrescentar outro embaraço: a igreja da Santa Casa achar-se emprestada à Matriz e Colegiada de Santa Maria, desde o ano imediato ao do terramoto, e no inventário realizado no séc. XVII não se destrinçar o que havia no templo antes de 1755, nem o que para lá se transportou, salvo dos destroços da igreja de Santa Maria.
Emprestada até quando, senhores Bispo do Algarve Revº. D. Manuel Neto Quintas e Provedor Eduardo Andrade?

segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

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A escravatura


Por vezes interrogo-me, se será hipocrisia, mexer nas feridas do passado, naquilo, que ninguém quer falar, que atormenta os pensamentos. Um tabu, que me faz pensar, há já algum tempo a esta parte, e que voltou com alguma intensidade, quando a terra foi mexida, e apareceram mais vestigios do tráfico humano, nas escavações na Praça D`armas, onde numa antiga lixeira, datada dos séculos XV a XVII, foram encontrados 140 esqueletos de escravos africanos, abrindo todo um novo campo de conhecimento, sobre os Descobrimentos Portugueses. Todos estes acontecimentos, fez aumentar, este sentimento de alguma forma de culpa e responsabilidade de nós todos portugueses, perante a escravatura.

Nada melhor, do que nesta data, para falar no assunto. Na evocação dos 550 Anos da Morte do Infante Dom Henrique (que se assinalam este ano) e, simultaneamente, da descoberta de Cabo Verde, o que faz com que um acordo de geminação, irá ser presente à Assembleia Municipal, para aprovação, entre Lagos, e a Ribeira Grande de Santiago que foi a primeira cidade construída pelos portugueses em África. Seria oportuno também, recordar, estes 6500 milhoes de seres humanos, e levar à Assembleia Municipal, para aprovação, um estudo para um projecto, para a implantação de um monumento, dedicado a todos estes seres humanos, que foram vítimas da escravatura.

Sim, um monumento, bem melhor que o exemplo americano, onde o presidente norte-americano Barack Obama classificou de "histórica" a resolução adoptada pelo Senado, que apresentou formalmente desculpas, em nome do povo americano, pela "escravidão e a segregação racial" para com os negros americanos. A resolução, deixa, todavia, claro que não pode servir de base "a uma queixa contra os Estados Unidos. Neste caso parece-me hipócrita, porque esta resolução, não serve absolutamente para nada. Porque de resto, continua praticamente tudo na mesma.

O que proponho, é um monumento, desculpas à parte, o Papa já pediu desculpas em nome dos católicos. Quem devia pedir desculpa em nome de Portugal, era o Infante D.Henrique, que em 1444 enviou uma caravela à foz dos rios Senegal e Gâmbia e regressou a Lagos com 235 escravos a bordo. Foi o início de Portugal, no comércio da escravatura. Portugal, entre os séculos XVI e XIX, foi responsável por uma das maiores, se não a maior, transferência forçada de seres humanos da História da Humanidade entre África e o Brasil.6.500.000 (seis milhões e quinhentos mil seres humanos traficados):4.000.000 de sobreviventes + 1.500.000 mortos na marcha até ao litoral para embarque+ 500.000 mortos nas fortalezas onde esperavam embarque+ 500.000 mortos no Atlântico[Números aproximados]

Os portugueses orgulham-se em apregoar que Portugal foi o primeiro país do mundo a abolir a escravatura em 1761, a verdade é bem outra. Orgulho esse, que deve sempre existir, no aspecto científico dos descobrimentos, o espírito aventureiro, corajoso e destemido do povo português, fez com que as viagens fossem cada vez mais longe, avançando em mares nunca dantes navegados, como cantou Camões. O conhecimento de novas terras e mares, de novas gentes e culturas e a valorização da experiência, foram a grande dádiva dos Portugueses à Humanidade.
A cidade Lagos foi pioneira nos Descobrimentos, pelo longo caminho das descobertas, foram cometidos muitos erros, reconhecer esses erros não é humildade, talvez seja ambição, um orgulho enorme para Lagos, e para os lacobrigenses, a coragem para enfrentar este tabu, que atormenta os portugueses, e que Portugal, a todo o custo, tenta distanciar-se, como se nada tivesse a ver com o assunto.

sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

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Paul McCartney em Lagos no ano de 1968

image: http://www.dailymail.co.uk ( Paul McCartney na praia da Luz em 1968)
Muitos serão aqueles que desconhecem, a paixão pelo Algarve, e a amizade de Paul McCartney, com um amigo, que viveu aqui em Lagos muitos anos, no Porto de Mós. No tempo em que lá existia apenas meia dúzia de casas. Frequentava aquela praia uns poucos intelectuais de Lisboa que vinham de férias todos os anos para os mesmos sítios de costume, enquanto os locais passavam pelo Porto de Mós, apenas para apanhar ourices do mar, ou para recolha do barro cinzento para tratamento da pele. Um pouco mais atrás no tempo, digamos que era uma praia para uso militar, especialmente para exercícios, onde os rebentamentos de granadas e outro tipo de explosivos era frequente, por isso mesmo pouco aconselhável a banhistas.
Mas de este amigo, que nos visitou 30 anos depois e se espantou com a nova realidade da cidade de Lagos,vou falar num outro post, este post é do Paul McCartney.

Numa noite de final de ano, uma inesperada visita bateu à porta deste nosso amigo, (que na altura vivia na Praia da Luz, freguesia, que na altura já devia ter uns 20 ingleses residentes), um taxi vindo do aeroporto de Faro, que transportava um casal, sem escudos no bolso para pagar a viagem ao taxista, era nem mais nem menos que o famoso Sir Paul McCartney, com a sua namorada com quem viria a casar, a Linda McCartney. Ficou na casa deste nosso amigo, duas semanas de férias no Ano Novo de 1968/69. Devo acrescentar, que não era a primeira vez que Paul McCartney, visitava o Algarve, aliás, a letra da canção "Yesterday", uma das mais emblemáticas canções de Paul McCartney e dos Beatles, foi escrita em Portugal, dentro de um carro, no trajecto de cinco horas, por estradas más, na altura, entre Lisboa e Faro. Foi o próprio McCartney que o confessou no livro "Yesterday And Today", editado em 1995 nos 30 anos da canção.

Mas a outra famosa canção entre nós"Penina"foi escrita quando ele esteve de férias aqui em Lagos. A canção foi dada aos "Jotta Herre"os Beatles portugueses. Os "Jotta Herre" era uma banda, que tocava no Hotel Penina, no Algarve, perto de Portimão.

O próprio Paul McCartney conta parcialmente a história de "Penina" no fanzine do antigo clube de fãs de McCartney, "Club Sandwich": "Fui a Portugal de férias e uma noite, quando regressava ao hotel, já alegrote, resolvi tomar mais uns copos ao bar. Estava um grupo a tocar e eu acabei por ir parar à bateria. O hotel chamava-se Penina e improvisei ali uma canção sobre esse nome. Alguém me perguntou se podia ficar com ela e eu dei-lha. Nunca pensei em gravá-la eu próprio"

Na versão, do Giuseppe Flaminio, um membro da banda "Os Jotta Herre "hoje representante da Universal Music em Portugal, Conta:

"naquela noite, juntámo-nos todos à volta de Paul e de Linda, bebemos um copo e então ele propôs: vamos tocar. Passava da uma hora da manhã e o Paul deu um show inesquecível. Tocou sucessivamente piano, baixo, guitarra e bateria. Tocou bateria como eu nunca tinha visto um músico tocar". "Cada vez entrava mais gente na sala. Paul voltou à bateria e pediu "one minute". Começou a cantarolar e desafiou a malta para tentar acompanhar a sequência harmónica que estava a sair. Eram 4 horas da madrugada e, logo ali, compôs e cantou a música e a letra da canção que nos ofereceu. No fim, pôs-lhe um título, o nome do hotel". (...)

Coisas de outros tempos, como o tempo é um recurso não reciclável, na minha opinião é sempre bom relembrar estes acontecimentos, só para que não caia no esquecimento! ...

terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

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De motorista a hoteleiro...




Este foi o primeiro Hotel no Algarve, em princípio abriu como estalagem, e foi considerado na época, um projecto moderníssimo e futurista, sem dúvida alguma se emquadrava bem nos dias de hoje com a nova câmara municipal de Lagos. Esta estalagem era direcionada em princípio a viajantes, e outras pessoas ligadas ao ramo dos transportes, dai o nome de São Cristóvão, o Santo protector dos motoristas e dos viajantes, mais tarde, foi ampliado para Hotel e perdeu toda a sua traça original.

Tudo isto foi a idea, dum grande homem que recordo: pessoa muito activa, alegre, um homem confiante, que não precisou de provar nada para ninguém nem se gabar de seu sucesso, mas que gostava de se mostrar no seu mercedes, talvez para compensar, o charmo e a vaidade que não tinha, e que talvez, em certas ocasiões , senti-se a falta, devido ao grande empenho naquilo que fazia, e o estatuto daqueles que mais o admiravam, e seus serviços procuravam.
Aliás, num post mais atrás, já o Tínhamos mencionado, o Hermano do Nascimento Baptista, (18 de Maio de 1907 - 2000, na fotografia ao lado o 3 da direita em baixo). Antes de se realizar como empresário de hotelaria e chefe de cozinha, foi motorista de autocarros, e também teve um negócio no comércio de frutos secos. Construiu o Hotel de São Cristóvão em Lagos, a primeira unidade hoteleira no Algarve.
Um grande entusiasta da culinária, tornou-se num "mestre" desta arte, representando, e servindo banquetes de gastronomia regional algarvia em diversos eventos, em Portugal e no estrangeiro. Um artista culinário, que em forma de brincadeira ou não, dizia-se: que, o Hermano, em certos banquetes, conseguia iludir os convidades e servir(brindar) estes, com pratos, onde a lagosta abundava, só que no fundo, (sem que ninguem se apercebe-se do truque), não era nem mais nem menos, que "arraia", um peixe com polpa branca, como a lagosta, mas, muito mais barato que o precioso marisco, genial!
Por tudo isto, recebeu a medalha de mérito "Grau Ouro" da parte da Câmara Municipal de Lagos.

Relacionado com tudo isto, li, há já algum tempo um artigo sobre esta zona ribeirinha, onde este hotel ainda se integra, assim como o arquitecto que projectou tudo isto, caso não tenha tido a opurtunidade de ler, fica aqui este link, onde se pode ler entre outros assuntos, o seguinte:
"A estalagem e uma bomba de gasolina que lhe era adjacente formavam o Posto Rodoviário de Lagos, que constituiu o trabalho de final de curso para defesa de tese e obtenção do diploma de arquitecto do seu autor, o arquitecto António Vicente de Castro, que obteve, na Escola de Belas Artes do Porto, em 1955, a média final de 19 valores."
Leia o resto aqui: Arquitectura Modernista no Algarve: a propósito dos «barracões» que envolvem a nova Câmara de Lagos



domingo, 24 de Janeiro de 2010

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As coisas não valem senão na interpretação delas


Obra do artista Lacobrigense, Zé Maria (ZEMA).


A experiência direta é o subterfúgio, ou o esconderijo, daqueles que são desprovidos de imaginação. Os homens de ação são os escravos dos homens de entendimento. As coisas não valem senão na interpretação delas. Uns, pois, criam coisas para que os outros, transmudando-as em significação, as tornem vidas. Narrar é criar, pois viver é apenas ser vivido.

Fernando Pessoa



sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010

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Poetas de outros tempos

José Manuel Lopes Gonçalves, (Lalecas), nasceu em Lagos, na rua Marchal furtado, em 8 de Abril de 1952, (1º Em baixo a contar da esquerda). Carregar na imagem para ampliar

As pessoas entram em nossa vida por acaso, mas não é por acaso que elas permanecem.
Conhecemos pessoas que vem e que ficam, outras que, vem e passam.
Existem aquelas que, vem, ficam e depois de algum tempo se vão.
Mas existem aquelas que vem e se vão com uma enorme vontade de ficar...

Fotografia bastante curiosa, veio ao meu encontro. Lalecas(Lelecas), melhor, José Manuel Lopes Gonçalves, o homem que tem estado à frente das finanças públicas lacobrigenses, já lá vão muitos anos.

Um dia em conversa com o amigo Lalecas, dizia-me ele, que tinha uma fotografia do tempo que jogava futebol no Esperança de Lagos, onde eu figurava entre os jogadores e as muitas pessoas alegres, (como era normal, naquela ėpoca longinqua), tinha eu os meus 10 aninhos,e estes eram os heróis da minha infância. O exercício de recordar estas pessoas e estes tempos, não é tarefa fácil. Mais difícil é compreender hoje, como, num país de injustiças estruturais, que choca mesmo as consciências mais apáticas e resignadas, alguém, como o meu amigo de longa data, o Lalecas conseguiu, durante sua longa carreira, não cair na tentação irresistível de fortunas que surgem da noite para o dia. Como é sabido, onde há dinheiro a administrar há sempre a oferta generosa de corruptos que no país abunda, e Lagos não fica isente.
Os anos vão passando por nós, mas nada fez mudar o carácter e comportamento sério e lutador do Lalecas, assim sempre o conheci, um grande homem um excelente professional, que sempre lutou por sua terra, tanto no desporto, como na vida profissional.
É preciso ter sólidos valores, ser pessoa séria, e acima de tudo, é bom ter em conta que, através do passado, consegue compreender-se melhor o presente. Uma lição de vida, um exemplo a ser seguido,para muitos que hoje, ocupam cargos importantes no nosso concelho , que viveram e sentiram, estes tempos
humildes.

quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

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Fernão de Magalhães


De espantar que o primeiro passo na direção do comércio em escala mundial(um dos aspectos da globalização actual) tenha sido há mais de 600 anos.


O navio escola Sagres partiu ontem, do cais de Alcântara, para uma missão de onze meses à volta do mundo, algo que não fazia há 27 anos.

A Sagres deixou a barra do Tejo em direcção ao, Brasil, seu primeiro porto de passagem, onde deverá chegar a 9 de Fevereiro. No total, a viagem terá uma duração estimada de 339 dias, dos quais 71 por cento a navegar e 29 por cento nos portos. O navio passará por 27 cidades costeiras, de 19 países diferentes, antes de regressar a Lisboa, em 23 de Dezembro.

Nada melhor para lembrar nestes 5 filmes, a viagem do Fernão de Magalhães e dos irmãos Faleiro, cartógrafos portugueses.

Fernão Magalhães começou a insistir para o rei Manuel lhe dar tarefas mais emocionantes e bem pagas, como encontrar o caminho para as Molucas indo pelo Oeste, em vez de fazer o trajeto tradicional, na direção Leste: era mais rápido, dizia. O monarca não comprou essa idéia. Isso fez Magalhães renunciar à nacionalidade portuguesa e oferecer seus serviços a Carlos, rei da Espanha. Esse soberano, depois conhecido como imperador Carlos V, tinha sonhos de grandeza e decidiu patrocinar a viagem de Magalhães. Encontrar um caminho mais rápido para as Índias faria a Espanha passar à frente de Portugal e de todos os outros países na corrida das navegações. Segundo os cálculos de Magalhães e dos irmãos Faleiro, cartógrafos portugueses, as Molucas encontravam-se na metade do mundo que, pelo Tratado de Tordesilhas, cabia à coroa espanhola. Eles acreditavam que ao sul do Brasil havia uma passagem, do oceano Atlântico para os mares do Sul. Em setembro de 1519 a grande viagem começou, partindo com cinco navios e cerca de 270 tripulantes. A frota chegaria à América do Sul, explorando a região do rio da Prata no ano seguinte.

A viagem completa de Fernão de Magalhães, pode ver aqui:

http://canalhadelagos.blogspot.com/2009_07_01_archive.html

segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010

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A Linha!

Projecto "Cascade" Ponta da Piedade -1.Fase - 38 hectares, uma milha de costa.
Carregar nas imagens para ampliar

A primeira ideia que nos surge ao pensar na linha é a de contorno, de limite, uma linha gerada pelo traçar do desenho — real ou imaginária, essa linha descreve formas e delimita-as, de alguma maneira, as individualiza. Geometricamente, a linha contínua ou não, mais do que uma sucessão de pontos, é a trajectória de um único ponto que se move, ou, para utilizar a linguagem típica dessa disciplina, é “o lugar geométrico das posições desse ponto”.

Contudo a leitura de uma imagem, no que esta encerra de observação, é ainda de facto diferente da escrita. Pelo contrário, as imagens convidam-nos, quase imediatamente, a entrarmos nelas. Absorvem-nos de forma voraz. Sobrepõem-se. Fazem desaparecer tudo o que não é imagem. A sua sobranceria e proliferação parece querer armadilha-nos os movimentos e os trajectos.

quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010

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O João Cutileiro que conheci.


"Passei a minha vida toda, penosa e lentamente, escalando até ao cume do Evereste. Agora velho, "quebrada a espada já, rota a armadura", olho para trás por cima do ombro e vejo que me enganei"

João Cutileiro

O Largo das Freiras sempre me fascinou, pela beleza das árvores, da história, escondida no velhario das casas e especialmente da Igreja velha, que apesar de abandonada ainda por lá habitavam as imagens em madeira da religião, decapitadas algumas, por brincadeira ou má fé, os montes de livros antigos cobriam o chão, o cheiro intenso a velho pairava no ar, o abondono e o sossego dum templo, onde uma enorme cruja, escolheu para habitar, as pulgas eram tantas, que sempre que podiam tentavam fugir, agarrando-se a nossas pernas, por vezes subia-mos à torre para tocar o sino.

Imagens que recordo com saudades, em minha inocente idade, aí brincava, em frente à casa do Cutileiro, pessoa um tanto asustadora e misteriosa, um olhar ameaçador constante, que nos fazia parar nas nossas brincadeiras do quotidiano, sempre que o Cutileiro regressava a casa no seu velho Citrôen 2 cavalos branco, velho e cansado de tantas vezes subir aquela ladeira, que mais tarde acabou por morrer de baixo de uma àrvore, e por lá ficou fazendo a delícia da moçada que nele brincavam. Um alto muro coberto com pedaços de vidros cravados no topo, separava o seu mundo, do mundo dos outros. Mistério, que despertava a imaginação de almas tão inocentes e curiosas, que sempre que possível tentavamos desvendar, subindo, e lá em cima era o contemplar do imaginário erótico em pedra do Cutileiro. Por vezes a sorte brindava-nos, com a arte viva da mulher despida, misturada com a pedra nua em forma de mulher, enquanto o Cutileiro explorava a figura feminina, e projectava no papel a sua nova criação.

Hoje quando se fala do Cutileiro, me vem à memória, estes momentos inocentes de minha infância, e um sentimento que o Cutileiro que conheci, era um homem muitos anos à frente do tempo que vivia, o que o tornava um pouco incompreesível para a população em geral. Não foram tempos fáceis para o artista, penso eu, mas venceu e apareceu com o D.Sebastião, que tanto se esperava num dia de nevoeiro, envolto no pó de pedra, na imagem viva do Cutileiro. O João Cutileiro, venceu na vida e voltou a sorrir, um grande artista, e claro nenhum grande artista vê as coisas como realmente são, caso contrário, deixaria de ser um artista.

Um pouco de João Cutileiro:

Em 1966, numa visita a uma fábrica de mármores em Lagos, descobre as potencialidades criativas, e também económicas, do corte da pedra com máquina eléctrica. Na sequência disto, Cutileiro trabalhará exclusivamente em mármore e pedra, concebendo um estilo escultórico em que os objectos tanto se caracterizam pela simulação de um tratamento artesanal, como ostentam a visível caligrafia da máquina Cutileiro abre a porta para a grande ruptura na escultura portuguesa do século XX, que ocorrerá efectivamente na década de 80. Fá-lo não só através da sua própria obra, mas igualmente pelo trabalho de formador na Escola da Pedra em Lagos, por onde passaram alguns dos artistas, como José Pedro Croft e Manuel Rosa, que protagonizam essa transformação.
A década de 60 marca a escolha da temática que irá dominar toda a sua produção, o erotismo, particularmente explorado através da figura feminina, mas também presente nos seus pássaros e flores.
1973 é o ano de D. Sebastião, a peça mais polémica de toda a sua carreira. Para além dos (muitos) sentimentos que esta escultura, colocada numa praça da cidade de Lagos, possa ter suscitado, D. Sebastião marca uma ruptura definitiva na estatuária nacional, ao ser o primeiro monumento a desafiar a sua lógica comemorativa. Cutileiro apropria uma das figuras mais emblemáticas da mitologia portuguesa, criando um antimonumento, assente na ambiguidade (sexual) do jovem rei, desmistificando simultaneamente o seu estatuto heróico e a suas virtudes guerreiras.