sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

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A aparição


Na Ponta da Piedade, as formas das falésias, esculpidas pelo mar e pelo tempo, constitui um cenário paradisíaco, de rochedos recortados em constante contraste com o azul esverdeado da água do mar, para além de toda esta beleza, a Ponta da Nossa Senhora da Piedade, é um local Sagrado, um Santuário por natureza, história, encantos e tudo aquilo que é possível imaginar. Aqui apareceu a imagem de Nossa Senhora da Piedade aos pescadores, segundo reza a lenda. O facto foi asinalado no cimo duma rocha, com um marco em pedra, que sinalizava, o lugar exacto da aparição da Nossa Senhora da Piedade, marco bastante significativo para os pescadores, que os guiava à fonte de protecção, e da força espiritual, que bem precisavam, sempre que a terra, começava a perder-se de vista, e o caminho era o além, mar. Marco esse, que já lá não está, caio no mar, e ninguém mais o repôs no sítio.Os que acreditavam nestas crenças eram os pescadores, que nos dias de hoje são poucos, e os milagres da Nossa Senhora muito menos. Até as gaivotas, que por natureza aí habitavam, trocaram esse rochedo pelos telhados de nossas casas, pura coicindência

Os tempos são outros, a crença sem ter provas, deixa de ser crença para se tornar numa história banal pouco relevante, e muito difícil de explicar a um Inglês. Mais fácil, será apontar para um sapato no meio do mar, o Inglês olha desconfiado sem perceber,ao fim de alguns segundos: Há Háááá! ”the shoe”, bate-lhe na cabeça, e entende que de facto aquela rocha, asemelha-se com um sapato, a partir daí pode imaginar tudo aquilo que bem entender, mesmo que, nada tenha a ver, com o nome registado das rochas, que homem do lemo aprendeu com o tempo, como: a boneca, a vinha cavada, a balança, o arco do triunfo,o buraco da avô, etc. Enfim um nunca acabar de aparições, que irá entreter o turista, na sua viagem a este extraordinário
lugar, as grutas da Ponta da Piedade.


Esta lenda, tornou este local para muitos, num sítio Sagrado, um lugar de tradicional romaria, tanto por terra como por mar, tudo isso, deu origem à ermida da Nossa Senhora da Piedade para veneração e culto à imagem da santa. A devoção à santa vem de longa data, a procissão por mar em honra da Nossa Senhora da Piedade, era uma festa feita pelos pescadores à sua padroeira, muitas traineiras e outras pequenas embarcações se juntavam. Esta festa era uma procissão feita com a imagem de Nossa Senhora num barco, e acompanhada por tantos outros barcos enfeitados de propósito para esta festa em honra da Santa. A procissão do mar, partia do cais da Solaria, e dirigia-se ao local de culto, a Ponta da Nossa Senhora da Piedade. Hoje, o pescador já não vive esta mística original, ainda se faz a procissão, mas com alguma tímidez, não tão expresssiva. O sentido, não sei, se continua a ser de confiança na protecção da Mãe de Deus, face às tempestades da vida.


A ermida da Nossa Senhora da Piedade, segundo relatos históricos, foi mandada deitar abaixo. Cedida ao Ministério da Marinha em 12 de Janeiro de 1912, a fim de ali ser construído o farol. Apesar da ermida ser muito antiga, e estar muito arruinada, a Igreja não cedeu facilmente às exigências do estado político, o processo demorou alguns anos até ser resolvido. Esta ocorrência ficou registada em documentos, mais precisamente, na acta da sessão da Junta da Paróquia da freguesia de Santa Maria de Lagos de 19 de Junho de 1910:
«... Era com bastante mágoa que consentia que se fosse demolir uma ermida edificada há tantos séculos, aonde o povo concorre, principalmente os marítimos, em romaria por devoção a Nossa Senhora da Piedade; mas como esta junta não pode ir de encontro às determinações e ordens superiores, por isso se sujeita à demolição da referida ermida, para n’esse local se construir o pharol em questão...»
PS: Este post, tem como finalidade a busca de compreender melhor este lugar, para que de futuro o que aqui, se venha a projectar, deva passar antes por consulta pública. E claro, chamar a atenção das autoridades competentes, para que o marco que existiu no topo da rocha, seja reposto no seu devido lugar, é um marco com grande significado histórico, especialmente para os homens ligados ao mar, e claro para nossa história cultural.

8 comentários:

Zé Das Cabras disse...

Lembro-me perfeitamento, desse marco no cume do rochedo, mesmo em frente ao farol, acessível sómente por mar, mesmo assim havia quem lá ía de barco, (quando a pesca era pouca) subiam o rochedo, para recolher ovos de gaivota, era tempos muito difíceis, inclusive em dias de tempestade, que não havia peixe, base alimentar da maioria das pessoas aqui em Lagos, muitos eram aqueles, que apanhavam gaivotas para alimentação. Era feito uma simples armadilha, em forma de laço em arame, com uma estremidade presa num pau, e enterrada na areia da praia, lembro-me de ver o Romeu "pacote", a fazer estas armadilhas,na praia em frente a antiga lota. Mais tarde penso que esta caça à gaivota, foi proibida. Mas, quanto ao marco, nem me tinha apercebido que já lá não estava. Um boa recordação.

Anónimo disse...

Esse marco está lá no fundo do mar, de certeza absoluta, mas como levar aquilo lá para cima? É uma rocha bastante alta, e o marco pesa de certeza.

jorge ferreira disse...

Não sei se cheguei a conhecer o marco aqui referido. Gostaria que, se possível fosse colocada uma fotografia do mesmo.

Os lacobrigenses não colocam as suas melhores marcas patrimoniais e da paisagem nas suas vidas e nos seus particulares interesses., o que, aliás é típico dos privilegiados, nem se apercebem de quanto a natureza e a história os privilegiou.

A política que devia, além de cuida, dinamizar e mobilizar as pessoas para darem o seu contributo, não faz muito por isso. Quase tudo se resume a interesses..., interesses...,construção..., construção..., construção…, subsídios..., subsídios...

Por isso, o centro histórico está como está e vai no caminho que vai e locais como a Ponta da Piedade, a Estação Velha da C. P. estão abandonados e com o aspecto degradado em que estão.

No Camilo, não há, sequer, quem tenha o cuidado de desviar as águas pluviais que se acumulam e escorrem da esplanada e do estacionamento acelerando a erosão da falésia. Ninguém se lembra de plantar vegetação (caniços, silvados, chorões e tantas outras) apropriada para combater a erosão. Não seriam necessárias obras de milhões.

Se as coisas são assim agora. Imaginem quando for tudo urbanizado e os solos quase todos impermeabilizados.

Canalha de Lagos disse...

Será difícil encontrar uma fotografia na net, mas penso que é possível em coleções privadas. Se bem me lembro o marco desapareceu de lá, há mais de 20 anos. Só em conversas com pescadores, mais antigos , e com boa memória, será possível obter uma imagem verbal, e descritiva daquele ponto da nossa costa. Lembro-me de alguém me contar, que, o significado daquele marco, tinha a ver com uma outra ermida, ainda mais antiga, que existiu naquele lugar, será possivel, não sei. Enfim, é sempre bom, e agradável conversar, com pessoas, que tem tantas histórias para contar, histórias que tem sido passadas de geração em geração, e se não nos apressarmos, essas histórias perdem-se para sempre. Ė precisso não esquecer, que nossa alma contém uma imagem ou um reflexo da história de nossos antepassados.

Anónimo disse...

Um blog de Lagos? Lagos era uma aldeia!!! claro comparado com portimao...

Aguimas disse...

Não tenho a certeza, mas sempre pensei que fosse um marco geodésico do Instituto Geográfico Cadastral. Mas é uma questão de questionar o IGP (actual)

Canalha de Lagos disse...

Esse marco, do Instituto Geográfico, ainda está lá, penso que te referes a um marco em betão rectangular, em cima da falésia entre a praia dos pinheiros e a praia grande, este a que me refiro, não estava em cima da falésia, mas sim numa rocha isolada, acessível sómente de barco.

Aguimas disse...

Eu refiro-me exactamente a esse, mas estou a investigar porque conheço pessoas no IGP que podem saber quais os marcos do instituto no distrito e mais especificamente em Lagos, assim que souber alguma coisa digo, mas inclino-me mais para a tua teoria. Em São Bartolomeu de Messines existem dois marcos geodésicos distanciados um do outro cerca de 50 metros e ambos são do IGP, um deles foi lá colocado pela ARTOP, uma empresa que fazia levantamentos aéreos nos anos 50 o outro colocado pelos serviços oficiais.