domingo, 17 de janeiro de 2010

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O Poeta





Como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem.

Essa frase do nosso dia a dia, que me habituei a ouvir. Qualquer pessoa é admirável quando não conhecemos bem, até conhece-la, acho que não é bem assim. Durante o tempo de escola, conheci um professor, que me habituou, com a imagem de alguém fechado, num mundo que parecia ser só e exclusivo dele, por direito próprio. Homem curioso, transportava no seu dia-a-dia, um mistério numa mala valiosa, (com alça à tira-colo em pele), presumo, cheia de ricos pensamentos, gasta pelo silêncio dos tempos, nunca consegui saber quem era.

Os defeitos que vemos em quem idealizamos por desconfianca, ou ignorância, não, são nada, quando percebemos que, nunca conseguimos conviver com eles, pelas circunstâncias dos tempos, a vontade e tudo aquilo que o tempo já levou. Culpa minha, culpa não se sabe muito bem de quem. Voltei a encontrá-lo por aí, na diva dos sonhos, na net! em lugares onde a poesia encanta, e os males espanta. Me fez pensar e procurar o valor daquilo, ou daqueles que um dia, estando perto, sempre parecerem estar tão longe.

Hoje a aproximação está ao nosso alcance, mesmo que distante, tudo que erradamente tinha idealizado se desfaz, justiça é feita na valorização de alguém, não só pelo que faz, mas por tudo aquilo que fez, e eu não sabia.
Hoje eu sei, anos passaram, revela-se a pessoa, que eu posso dizer:
Eu te conheço! Não, não te conheço! Ninguém te conheçe, não conhecemos ninguém, eu mesmo às vezes não me conheço, mas hoje, sei quem tu és.

José Vieira Calado, nasceu em Lagos, em 1938, mais de quarenta anos de vida dedicados à literatura, Vieira Calado é um dos melhores poetas do modernismo algarvio.

“Os Sinais da Terra”, o livro que viria a ser proibido pela censura, e que mudou a vida deste lacobrigense, e que me fez escrever este post.

” Estudou em Lagos, Portimão, Faro e Lisboa. Em 1961 Iniciou-se na Poesia, e publicou o seus primeiros poemas, com o livro “37 Poemas” e, no ano seguinte, “Os Sinais da Terra”, que viria a ser proibido pela censura. Esse episódio esteve na origem da sua partida primeiro para Londres e depois para Paris, onde frequentou a Universidade de Vincennes, onde obteve uma "Maîtrise" em Estudos Anglo-Portugueses. A seguir ao 25 de Abril, tendo completado o curso, voltou a Portugal, para o ensino oficial, exerceu a profissão de Professor de Inglês e Português e publicou o livro “Poema para Hoje”, encetando uma vasta colaboração em jornais, revistas, programas radiofónicos e palestras em Centros Culturais e Escolas, nos domínios da Poesia e da Astronomia.
Até hoje publicou catorze livros de poesia e um em prosa, Merdock, já em segunda edição. Em Faro ficou especialmente conhecido pelo seu livro sobre os episódios ocorridos nos anos 50, envolvendo o cão Merdock. Nas palavras do autor:
“Merdock era um cão singular e deu origem, em Faro, a uma extraordinária manifestação de solidariedade que culminou na sua libertação.”
Aqui encontra, José Vieira Calado: http://www.vieiracalado-poesia.blogspot.com/


PS: Isto é apenas uma abordagem difícil, a alguém, que se conhece ao longe na rua, talvez, não seja a pessoa certa para falar do Calado, afinal, eu sou um estranho um canalha, que não dá a cara, mas isso não impede, de deixar aqui meu ponto de vista. Mas atenção, nada disto tem a ver com públicidade ou poesia, mas sim com a pessoa, como muitas outras que são recordadas, apenas, pela força da tristeza da partida.

8 comentários:

Valquíria Calado disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Valquíria Calado disse...

Falar de um canalha é facil, dificil é falar deste ser adoravel e lindo: Vieira Calado.
Falar do poeta que a todos encantam a lua e as estrelas testemunham...
O homem que me encanta tem índole perfeita,caráter sublíme e personalidade nobre.
Posa de durão mas tem um sencivel coração.
Honesto e respeitador até parece um monge santo senhor.
Fala mansamente ou silencia,não compromete nem denucia.
Perfeito homem calado
Quem o tiver tido como amigo achou um tesouro.
Se o teve como mestre um grande encontrou.
sorte mesmo quem o teve como amor e amante,pois o melhor dos amores conheceu ( ai se fosse eu).
Admiravel ser és ,agradeço o destino a honra de ser sua amiga,que tenhamos o prazer de tê-lo conosco por mais e mais muitos e muitos anos,recebendo seus queridos beijinhos.
um grande abraço VC merece esta homenagem. te amo querido.

obrigada canalhas valeu,demais! beijos

vieira calado disse...

Obrigado por esta reportagem.

Olhe, vai ser apresentado em Lagos, na Biblioteca Municipal, mais um meu livro de poesia - Viagem Através da Luz.

Claro que pode aparecer!

Não faço a mínima ideia de quem é, mas isso importa pouco.

A sessão de apresentação, dirigida pela professora Maria Antónia Vargas, terá lugar no dia 6 de Março, pelas 17 e 30.

Um abraço

Valquíria Calado disse...

Pois voltei pra apagar um dos comentários,cairam dois,desculpem.
Aproveito pra desejar a calado sucessos e vitorias sempre, beijinhos.

Anónimo disse...

JUNTO AO MAR

Sempre encontrei a plenitude na plenitude junto ao mar.
Talvez (e talvez seja a palavra imprecisa por excelência/
assim uma irremediável certeza na dúvida certa/
um latejar súbito apressado inquieto coração/
ao impulso da adrenalina/) talvez, dizia,
junto ao mar sinta eu o ruído da terra o mais profundo
confundindo-se com o do mar
e com este o do meu pulsar inquieto coração
que trago debaixo destes olhos de horizontes.

Junto ao mar, talvez (porque o mar foi – e é –
o princípio das coisas e se prolonga
por subsequente cadência ou consequente inércia)
talvez, dizia, tenha eu o inconsciente lampejo
de omnisciente consciência abarcando o todo
a terra e o mar, e o meu ser de água e pó,
a inconsciente consciência que traz a plenitude
que só encontro plenamente na plenitude junto ao mar.

E ele aí está – mar, ó mar que vens das raízes do sal/
que mantém em equilíbrio o desequilíbrio constante
do meu sangue/ mar onde se acalma o desassossego
dos meus dias inquietos/ mar onde descanso o olhar
olhando olhando apenas a tua imensidade ó mar.

Ou talvez apenas,
talvez
porque eu tenha nascido junto ao mar.

Poema de Vieira Calado

Anónimo disse...

Acho que me vou dedicar à Poesia. Sr. Poeta Vieira Calado! será que pode me dar uma dicazinha, por onde eu devo começar?

jorge ferreira disse...

Meu caro Canalha,

Uma boa sintonia ainda bem que apareceu e tras estes temas à praça. Outros canalhas apareçam e algo muda, mesmo que seja só nas nossas percepções-

O Vieira Calado é um excelente poeta que Lagos viu nascer e vai vendo existir, sem se dar a devida conta.

Lá estarei na apresentação com muito gosto e espero que a sala esteja cheia.

Abraço

Jasmine Bravo disse...

Linda escrita, saudavel imaginacao vivida em recordacao, com alguem que se conheceu, gostei imenso, um beijo.

Jasmine Bravo